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VISÃO GLOBAL: Iranianos se preparam para a guerra

João Coscelli

15 de dezembro de 2011 | 03h00

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Em meio a sinais preocupantes, população discute medidas para proteger suas famílias em caso de ofensiva

Por Thomas Erdbrink, do Washington Post

Diante dos alertas israelenses falando em ataques contra as instalações nucleares iranianas, as autoridades de Teerã costumam responder com bravatas e ameaças. Os clérigos muçulmanos xiitas que governam o país falam no poderio das Forças Armadas iranianas, e os comandantes militares gabam-se de que o Irã poderia disparar “150 mil mísseis contra Israel” se uma bomba israelense atingisse o território iraniano.

Mas, em vez de partilhar dessa atitude desafiadora, muitos iranianos comuns estão cada vez mais preocupados, acreditando que uma guerra possa ser catastrófica.

No metrô, nas ruas e em reuniões particulares, os iranianos discutem a possibilidade de uma guerra e o desafio de proteger suas famílias caso ela venha a ocorrer.

Conforme aumentam as tensões, muitos iranianos começaram a adotar medidas de precaução. Alguns estão estocando artigos básicos. Outros estão trocando seu dinheiro por moeda estrangeira, ou obtendo vistos para morar no exterior.

O temor de que algo possa ocorrer em breve tem aumentado nos últimos tempos. O ministro da Defesa de Israel disse este mês que seu país pode não ter alternativa a não ser o lançamento de um ataque militar para deter o nascente programa nuclear iraniano. O governo Barack Obama afirmou que se reserva todas as opções no tratamento dispensado a Teerã.

Enquanto os líderes iranianos dizem que suas ambições nucleares são puramente pacíficas, a maioria dos líderes ocidentais acredita que o país almeja construir armas nucleares. A preocupação entre os iranianos foi ampliada pelos últimos fatos ocorridos no país.

No mês passado, uma misteriosa explosão numa base de mísseis perto de Teerã abalou a capital e levou muitos a acreditar que o ataque teria começado. Semanas mais tarde, todos os diplomatas britânicos deixaram o Irã após um ataque contra a embaixada da Grã-Bretanha em Teerã.

Nos últimos dias, a captura de um avião não tripulado da CIA que o Irã afirmou estar sobrevoando seu território consolidou a sensação de que o país ruma para um conflito. A ansiedade também é alimentada pela mais recente rodada de sanções internacionais contra o Irã.

Enquanto as autoridades insistem que o Irã pode arcar com as crescentes limitações, os iranianos médios enfrentam preços cada vez mais altos e uma taxa de câmbio em acentuada queda, demonstrando a desvalorização do rial, que chegou a perder 48% do seu valor em relação ao dólar desde 2008.

Por enquanto, a economia do Irã é mantida em funcionamento por causa da renda obtida pelo setor do petróleo. Mas a maioria das pessoas acredita que as sanções se tornarão cada vez mais rigorosas, até finalmente afetarem a capacidade do país de explorar e vender o petróleo.

Muitos iranianos dizem se sentir impotentes e incapazes de enxergar uma solução para seus problemas. Alguns dizem até que seriam favoráveis a qualquer medida capaz de provocar mudanças no Irã, por mais caótico que seja o processo.

É JORNALISTA

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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