Watergate – o caso que derrubou Nixon
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Watergate – o caso que derrubou Nixon

No dia 9 de agosto de 1974, era efetivada a renúncia do presidente Richard Nixon, a única da história americana, após as revelações do escândalo de Watergate

Redação Internacional

09 Agosto 2016 | 05h00

No dia 9 de agosto de 1974, era efetivada a renúncia do presidente Richard Nixon, a única da história americana, após as revelações do escândalo de Watergate. O caso que mudou a história dos EUA foi revelado por uma investigação de dois jovens jornalistas do Washington Post, Carl Bermstein e Bob Woodward, a partri da invasão de um escritório do comitê nacional do Partido Democrata, oposição na época. Saiba mais sobre os eventos que tiveram início dois anos antes e levaram à renúncia do presidente republicano:
A invasão
17 de junho de 1972 – Cinco homens são presos às 2h30 da madrugada quando tentavam grampear os telefones do Comitê Nacional Democrata no complexo de escritórios Watergate, em Washington. A polícia diz que os homens tinham pelo menos dois aparelhos sofisticados de escuta telefônica. Encontrou ainda chaves falsas e pés-de-cabra, além de 2,3 mil dólares em dinheiro, a maior parte em notas de US$ 100 sequenciadas.

REPRODUCAO KATHA8 S2 03/11/98 - ED CADERNO 2 OESP - PRODUCAO DE IMPRESSO PB -   KATHARINE GRAHAM COM DUPLA DO WATERGATE (FOTO CONTIDA NA PAG.407 DO LIVRO

Katharine Graham, dona do Washington Post, com a dupla de jornalistas que revelou o caso. Foto: Contida na Pag. 407 do livro ‘Katharine Graham – Uma história pessoal’

A investigação
A história da invasão intriga dois jovens repórteres da redação do jornal The Washington Post, Carl Bermstein e Bob Woodward. Sua primeira reportagem assinada sobre Watergate é publicada no dia 19 de junho de 1972, e eles continuam fazendo a cobertura do fato nos anos seguintes. Os repórteres persistem. Woodward confia em Mark Felt, funcionário de alto escalão do FBI, como fonte sigilosa.

Com acesso aos relatórios do FBI sobre a investigação acerca da invasão, Felt podia confirmar ou negar o que outras fontes iam contando aos repórteres do Post. Ele também indicava as pistas que eles deviam seguir. Woodward concorda em não revelar a identidade de Felt, referindo-se a ele nas conversações com os colegas como “Garganta Profunda”. Sua identidade só seria revelada ao público em 2005, 33 anos mais tarde.

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Quarto de hotel onde foram funcionavam as escutas. Foto: Ken Cedeno/Reuters

Ação do governo
Outono de 1972 – Richard Nixon consegue facilmente reeleger-se. Em janeiro de 1973, seus ex-assessores Gordon Liddy e James McCord são condenados por formação de quadrilha, arrombamento e instalação de escutas telefônicas sem ordem judicial no incidente de Watergate. Em abril, H.R. Halderman e John Ehrlichman, membros da cúpula de Nixon e o procurador-geral Richard Kleindienst se demitem. O assessor jurídico da Casa Branca, John Dean, é demitido. Em maio, o Comitê do Senado para Watergate dá início às audiências transmitidas pela televisão.

Outros momentos cruciais do escândalo:

– Alexander Butterfield, ex-secretário presidencial, revela em seu depoimento que Nixon gravava todas as conversações e chamados telefônicos em seu gabinete desde 1971. Dias mais tarde, Nixon ordena que o sistema de gravações da Casa Branca seja desativado.

– Nixon recusa-se a entregar as gravações. Posteriormente, é descoberto um trecho de 18 minutos e meio de silêncio absoluto em uma das fitas solicitadas pelo tribunal.

– Durante uma sessão de perguntas e respostas na TV, Nixon declara: “Não sou um criminoso”, declarando-se inocente.

– Abril de 1974 – A Casa Branca entrega ao Comitê Judiciário da Câmara mais de 1,2 mil páginas de transcrições editadas das fitas de Nixon, mas o comitê insiste em que as fitas sejam entregues.

– 24 de julho de 1974 – A Suprema Corte determina por unanimidade que Nixon entregue as gravações das 64 conversações da Casa Branca.

– 27 de julho de 1974 – O Comitê Judiciário aprova o primeiro de três artigos de impeachment, acusando Nixon de obstrução da Justiça.

FILE -- President Richard M. Nixon says an emotional goodbye to his Cabinet and staff at the White House on Aug. 9, 1974. At left is his daughter, Julie Nixon Eisenhower. Nixon was driven from office by the Watergate scandal, resigning in the face of certain impeachment. (Mike Lien/The New York Times)

Ao lado da filha Julie, Nixo anuncia sua renúncia. Foto: Mike Lien/The New York Times

Renúncia
8 de agosto de 1974 – Nixon anuncia em um pronunciamento pela televisão que renunciará à presidência no dia seguinte. “Ao fazer isto”, afirma, “espero ter apressado o início do processo de cura de que os Estados Unidos necessitam tão desesperadamente”. O ex-presidente morreu em 1994, após duas décadas tentando se afastar da imagem dos escândalos. / W. POST