Acordo com a Colômbia 'não tem segredo', diz general dos EUA

Em Brasília, assessor de Segurança Nacional da Casa Branca disse que país procura relação 'aberta' com região

BBC Brasil, BBC

05 de agosto de 2009 | 14h59

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira, 5, durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia "não traz novidades", mas que está disposto a "conversar" com os países da região sobre o assunto. Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que "não há mágica, não há segredos debaixo da mesa" em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. "Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou", disse o general.

 

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Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. "Vamos apenas usar as instalações colombianas", disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.

 

Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está "a uma longa distância dos Estados Unidos". Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.

 

O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação "mais aberta" com a região. "Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor", disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. "Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui", disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.

 

Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi "cordial" e que o general americano ouviu "atentamente" as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos.

 

Para a diplomacia brasileira, "não há justificativa" para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um "contexto de estabilidade" e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve "falha de comunicação" na discussão sobre o acordo militar.

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