Acordo com Oriente Médio beneficia indúsrtia bélica dos EUA

Venda de armas para aliados como Israel, Egito e Arábia Saudita deve render mais de US$ 60 milhões

03 de agosto de 2007 | 20h43

Os acordos militares recém firmados no Oriente Médio pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, não são apenas uma ajuda para os aliados dos Estados Unidos na região. Além de fortalecer Estados dispostos a fazer frente aos avanços de Irã, Síria e das milícias do Hamas e do Hezbollah, o pacote de mais de US$ 60 bilhões servirá para impulsionar a poderosa indústria bélica americana.  A constatação está em uma reportagem publicada nesta sexta-feira, 3, pelos site do diário espanhol El País. O texto destaca a importância dessas empresas na economia e política dos Estados Unidos e chama a atenção para as suntuosas cifras despendidas pela Defesa do país. Tendo como principais beneficiários Israel, Egito e aliados do Golfo Pérsico como a Arábia Saudita, o acordo deve injetar cerca de US$ 60 bilhões na indústria bélica mundial - a maior parte dela, obviamente, localizada nos EUA. Segundo números do El País, os gastos americanos com armamentos e com as guerras do Iraque e do Afeganistão são de aproximadamente US$ 640 bilhões - o equivalente a 4% do PIB e 45% do gasto militar mundial. Desta forma, os valores oferecidos pelos EUA aos aliados devem dar mais impulso a uma indústria que marcha de vento em popa. Entre as maiores beneficiadas estão a Boeing, Lockheed Martin e Raytheon. Segundo o El País, essas empresas integram o chamado complexo "militar-industrial", um conceito utilizado para definir a simbiose entre as Forças Armadas, o setor privado e a elite política dos Estados Unidos.  O novo pacote militar incluirá armamento avançado, atualizações para aviões de combate e barcos. A Arábia Saudita é um dos principais clientes militares dos EUA, mas alguns membros do Congresso americano vêem o país como um refúgio para terroristas e uma ameaça para Israel. Isso, no entanto, não impedirá que o acordo seja aprovado por dois motivos principalmente. O primeiro é a importância econômica dos acordo; o segundo é que Israel será o principal beneficiado. Por fim, o El País destaca que o gasto militar não deve parar de crescer mesmo que os republicanos percam o comando da Casa Branca em 2008.

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