Acordo entre EUA e afegãos deve focar em imunidade de soldados

Autoridades dos Estados Unidos e do Afeganistão devem debater sobre proteções legais aos soldados norte-americanos quando começarem as negociações sobre um acordo de segurança que permitiria que algumas tropas dos EUA permaneçam no Afeganistão depois de 2014.

MISSY RYAN E HAMID SHALIZI, Reuters

29 de junho de 2012 | 12h26

As autoridades afegãs dizem esperar que o acordo com os Estados Unidos inclua o número de soldados norte-americanos que permanecerão no Afeganistão além de 2014, o número de bases onde as tropas ficarão localizadas, quem vai controlá-las, o que podem e não podem fazer e imunidades legais para esses soldados.

As negociações sobre o acordo de segurança, que ainda não começaram, seguem outro acordo bilateral que define os laços dos dois países no futuro, assinado em maio pelo presidente dos EUA, Barack Obama, e pelo presidente afegão, Hamid Karzai.

Desta vez, os negociadores devem lidar com algumas das questões mais sensíveis que acabaram sendo excluídas do primeiro acordo. Mesmo que muitos afegãos, incluindo o próprio Karzai, estejam irritados com a presença de tropas estrangeiras que já dura mais de uma década.

Se tais negociações fracassarem, os Estados Unidos seriam obrigados a retirar uma força que agora totaliza 90.000 soldados até o final de 2014, quando termina o prazo para as nações da Otan retirarem a maioria das tropas, apesar de poucos sinais de que a insurgência Taliban vá acabar em breve.

Aimal Faizi, principal porta-voz de Karzai, disse que o acordo, que supostamente deve ser concluído até maio do ano que vem, iria se concentrar na "natureza, âmbito e obrigações" da missão militar dos EUA no Afeganistão depois de 2014.

"Ambos os lados vão começar a conversar com base nessas três áreas", afirmou Faizi à Reuters.

Não se sabe quantas tropas norte-americanas posicionadas no Afeganistão vão continuar após 2014.

A força remanescente pode incluir várias dezenas de milhares de soldados norte-americanos, provavelmente com foco em operações de forças especiais visando a al Qaeda e outros militantes, aconselhando a força militar inexperiente do Afeganistão, e mantendo a capacidade de lançar aviões teleguiados tendo como alvo o vizinho Paquistão.

"O acordo de segurança irá abordar as questões mais controversas que por vezes tensionaram as relações entre os dois países - por isso espero que isto demore bastante tempo", disse Brian Katulis, um membro sênior do Center for American Progress, uma instituição de Washington.

As exigências afegãs para que soldados estrangeiros estejam sujeitos à lei local podem ser o principal obstáculo para as negociações.

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