Acordo nuclear estará morto se EUA aprovarem novas sanções, diz Irã

O ministro iraniano de Relações Exteriores, Javad Zarif, disse que o acordo nuclear iraniano estará morto se o Congresso dos Estados Unidos impuser novas sanções ao Irã, mesmo que elas levem seis meses para entrar em vigor, informou a revista Time nesta segunda-feira.

Reuters

09 de dezembro de 2013 | 19h38

Numa transcrição da entrevista, realizada no sábado e publicada na Internet nesta segunda-feira, a Time afirmou ter perguntado a Zarif o que acontecerá se o Congresso impuser novas sanções, mesmo que elas levem seis meses para entrar em vigor.

Segundo a revista, ele respondeu: "Todo o acordo estará morto." Zarif se referia ao acordo interino de 24 de novembro com seis potências mundiais, pelo qual o governo iraniano irá restringir seu programa nuclear em troca da retirada de algumas sanções econômicas.

Os comentários de Zarif tiveram pouco efeito sobre os senadores norte-americanos que estão preparando uma legislação para impor novas sanções ao Irã em seis meses se o acordo alcançado em Genebra não for cumprido.

O presidente democrata do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Robert Menéndez, e o senador republicano Mark Kirk estão perto de chegar a um acordo sobre a lei que teria como alvo as exportações de petróleo restantes do Irã, as reservas cambiais e indústrias estratégicas, disseram assessores nesta segunda-feira.

A Casa Branca disse na semana passada que se opõe a um novo esforço de alguns membros do Senado de impor mais sanções contra o Irã, mesmo que as novas restrições levem meses para vigorar. Zarif disse que o Irã não cederá às pressões.

"Nós não gostamos de negociar sob coação", acrescentou Zarif. "Se o Congresso adota sanções, mostra falta de seriedade ou um desejo de conseguir uma solução da parte dos Estados Unidos."

"Estou a par das complicações domésticas e de diversas questões internas dos Estados Unidos, mas para mim isso não é justificativa. Eu tenho um Parlamento. Meu Parlamento também pode adotar várias leis que podem entrar em vigor se as negociações falharem", acrescentou. "Mas se nós começamos fazendo isso, não acho que iremos a lugar algum."

Alguns senadores norte-americanos vêm discutindo a ideia de impor novas sanções que começariam a ser aplicadas depois de seis meses ou se o Irã violar os termos de um acordo interino firmado em 24 de novembro, em Genebra, entre o país e seis potências: Grã-Bretanha, China, França, Alemanha, Rússia e Estados Unidos.

Esse acordo interino de seis meses tem como meta dar às duas partes tempo para negociarem um pacto mais abrangente, o qual os EUA esperam possa dar garantias de que o programa nuclear iraniano é somente para finalidades pacíficas. Já o governo do Irã espera que resulte no levantamento de todas as sanções econômicas.

O Irã e as seis potências iniciaram nesta segunda-feira conversações envolvendo especialistas para definir os detalhes de implementação do acordo histórico para o Irã restringir seu programa nuclear em troca da retirada de parte das sanções impostas ao país.

O acerto preliminar é visto como um primeiro passo para resolver um impasse de uma década sobre as suspeitas de que o Irã possa estar buscando sigilosamente desenvolver a capacidade de fabricar armas nucleares, uma preocupação que elevou o risco de uma ampla guerra no Oriente Médio.

(Reportagem de Arshad Mohammed)

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