Acusação pede 30 anos de prisão para o motorista de Bin Laden

Iemenita é condenado por apoio material ao terrorismo no primeiro julgamento realizado em Guantánamo

Agências internacionais,

07 de agosto de 2008 | 12h44

A Promotoria do tribunal militar americano de Guantánamo pediu nesta quinta-feira, 7, para que a pena de Salim Hamdan, ex-motorista de Osama bin Laden, não seja menor do que 30 anos de detenção. O iemenita foi condenado por apoio material a atos de terrorismo no primeiro veredicto de um detento da prisão na ilha cubana desde que ela foi criada, em 2002, mas a sentença ainda não foi definida pelos militares responsáveis pelo caso.    Veja também:  'Nunca soube que Bin Laden era terrorista', diz ex-motorista Em Guantánamo, 275 aguardam acusações    Hamdan foi julgado por uma comissão militar de poderes especiais. O julgamento abre caminho para que as comissões militares julguem até 80 presos de Guantánamo. Acusações já foram apresentadas contra outros 19 detentos. Anteriormente, o Pentágono, afirmou que todos os acusados - culpados ou não - permanecerão presos como "combatentes inimigos" pelo tempo que durar a "guerra ao terror".   Hamdan disse aos jurados militares que tinha "uma relação de respeito" com Bin Laden como empregado, e que só aceitou o cargo de motorista porque precisava trabalhar. "É certo que existem oportunidades de trabalho no Iêmen, mas não no nível que eu precisava depois de me casar e das ambições que tinha para o meu futuro", disse o condenado ao ler um documento.   O julgamento abre caminho para que as comissões militares julguem até 80 presos de Guantánamo. Acusações já foram apresentadas contra outros 19 detentos. Críticos afirmam que Hamdan não tinha um papel importante na organização e foi usado como cobaia para testar o funcionamento das comissões militares. Os promotores afirmaram que Hamdan fazia parte da cúpula da Al-Qaeda, mas os advogados de defesa argumentaram que ele era um homem com pouco estudo, que era apenas o motorista de Bin Laden. Hamdan tem 37 anos, dois filhos e é semi-analfabeto.    A defesa de Hamdan afirmou que seus direitos foram negados em um processo injusto e apressado depois que a Suprema Corte determinou que os tribunais militares violavam leis americanas e internacionais. "A história e a opinião mundial julgará se o governo provou que o sistema é justo", disseram os advogados em comunicado.    (Com Patricia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)   Matéria atualizada às 13h35.  

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