Acusado de 11/09 diz querer morrer e denuncia tortura

Por Jane Sutton BASE NAVAL DOS EUA NA BAÍA DE GUANTÁNAMO, Cuba (Reuters) -O acusado de ter planejado os ataques de 11 de setembro de 2001contra os Estados Unidos compareceu na quinta-feira diante deuma corte militar norte-americana, recitou uma oração emhomenagem a Alá e disse que receberia com satisfação a pena demorte. "É isso o que eu desejo, tornar-me um mártir", afirmou auma corte de crimes de guerra montada na base norte-americanada baía de Guantánamo, em Cuba, o paquistanês Khalid SheikhMohammed, o mais importante membro da Al Qaeda mantido sobcustódia pelos EUA. Mohammed e outros quatro réus, todos acusados de planejaros ataques, compareceram pela primeira vez diante de uma cortepara responder a acusações que podem condená-los à morte. Quando o juiz lhe perguntou se estava satisfeito com oadvogado militar dos EUA apontado para defendê-lo, Mohammedficou em pé e começou a cantar em árabe, parando de tempos emtempos a fim traduzir as frases para o inglês. "Meu escudo é Alá altíssimo", disse, acrescentando que suareligião o proibia de aceitar o advogado norte-americano e quedesejava defender-se sozinho. Mohammed criticou os EUA por manterem missões militares noAfeganistão e no Iraque, realizando o que descreveu como uma"guerra de cruzados" e aprovando leis ilegais, incluindo as queautorizariam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O juiz, coronel do Corpo de Fuzileiros Ralph Kohlmann,tentou, sem sucesso, convencer o réu a aceitar um advogado. Mohammed parecia envelhecido e imponente, apresentando umalonga barba grisalha e óculos grandes. O acusado usava uma túnica branca e um turbante,contrastando com a amarrotada camiseta branca que vestia quandoda fotos tiradas depois da captura dele, durante uma operaçãorealizada em 2003, no Paquistão. Mohammed e os co-réus Ali Abdul Aziz Ali, Ramzi Binalshibh,Mustafa Ahmed al-Hawsawi e Walid bin Attash são acusados deatos terroristas e de conspirarem com a Al Qaeda a fim deassassinar civis nos ataques que fizeram o governo do atualpresidente norte-americano, George W. Bush, declarar a chamada"guerra contra o terror". Os quatro também enfrentam 2.293 acusações de assassinato,uma para cada pessoa morta nos ataques de 2001, quando aviõesde passageiro foram jogados contra o World Trade Center, emNova York, contra o Pentágono, em Washington, e sobre um campode cultivo na Pensilvânia. ACUSAÇÃO DE TORTURA Segundo revelaram transcrições dos interrogatóriosrealizados por militares norte-americanos, Mohammed afirmou noano passado que havia contatado Osama bin Laden com a propostade sequestrar aviões de passageiro e jogá-los contra prédiosimportantes dos EUA. Na audiência de quinta-feira, no entanto, o réu questionoua veracidade das transcrições. "Eles traduziram mal as minhas palavras e colocarampalavras na minha boca", disse em inglês. "E tudo isso foifeito sob tortura", acrescentou. "O senhor sabe disso muitobem." A CIA (agência de inteligência dos EUA) reconheceu terinterrogado Mohammed usando uma técnica que simula afogamento eque é considerada um tipo de tortura por grupos de defesa dosdireitos humanos. A promotoria espera iniciar o julgamento propriamente ditono dia 15 de setembro, uma data escolhida, segundo a defesa,para influenciar o resultado das eleições presidenciais nosEUA, que ocorrem em novembro. Todos os cinco réus, que podem ser executados, foramtransferidos para Guantánamo em setembro de 2006 após ficaremcerca de três anos em prisões secretas da CIA.

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