Acusado de abuso sexual, pré-candidato republicano abandona disputa nos EUA

Herman Cain resistira à renúncia ao longo de cinco semanas e apenas recentemente vinha sofrendo queda nas pesquisas de opinião

Denise Chrispim Marin / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2011 | 20h10

Sob acusações ter cometido de abuso sexual e de ter mantido uma amante por 13 anos, o empresário Herman Cain desistiu neste sábado, 3, de concorrer à candidatura do partido republicano à Presidência dos Estados Unidos. Cain resistira à renúncia ao longo de cinco semanas, mesmo atingido por novas acusações, e apenas recentemente vinha sofrendo queda nas pesquisas de opinião. No meio do escândalo, chegou a ultrapassar o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts.

“Como essas falsas acusações continuaram, elas me desviaram a minha habilidade de apresentar soluções ao povo americano. Com muitas orações e busca espiritual, eu estou hoje (sábado) suspendendo a minha campanha presidencial”, afirmou Cain, em um discurso pausado, como se falasse do púlpito de uma típica igreja Batista americana.

Cain escolheu o lugar onde seria inaugurado o novo quartel-general de sua campanha, em Atlanta, para o discurso. Estava ao lado de mulher, Gloria, e de familiares, e mencionou a dor causada a eles pelas acusações como a principal causa de sua desistência. Novato em política, o ex-presidente da rede de fast-food GodFather’s Pizza pretende continuar a ser “uma voz” política alternativa.

O golpe final na pretensão de Cain deu-se no último dia 28, quando a executiva Ginger White, de Atlanta, afirmou em um programa de televisão ter mantido um relacionamento com Cain por 13 anos. O candidato admitiu a amizade com White e tê-la ajudado financeiramente, mas negou terem sido amantes. Nas últimas semanas, pelo menos três mulheres o denunciaram por assédio sexual. Nos anos 90, duas delas teriam aceitado um acordo com a Associação Nacional de Restaurantes, entidada presidida na época por Cain. Receberiam dinheiro em troca do pedido de demissão e do segredo sobre o assédio.

Cain foi o primeiro dos oito pré-candidatos republicanos a abandonar o páreo. A expectativa é de novas desistências depois da primeira eleição primária do partido, em New Hampshire, em janeiro. Em sua curta campanha, o empresário notabilizou-se pela proposta de adoção de uma alíquota única de 9% para os três principais tributos federais – o chamado “999”. Mas também por gafes e pelo despreparo evidente. Cain mostrou-se desinformado sobre os recentes acontecimentos na Líbia, chamou o moderador de um debate da CNN pelo nome errado e orgulhou-se por não saber os nomes dos presidentes de outros países.

Melhores resultados ele extraiu de sua vida professional. Ao contrário do presidente dos EUA, Barack Obama, Cain tem uma história familiar que remonta ao período da escravidão e uma origem modesta. O republicano nasceu em Memphis, no Estado sulista do Tennessee. Seu pai era motorista particular e sua mãe, faxineira. Em Atlanta, na também sulista Georgia, frequentou escolas batistas e graduou-se em Matemática em uma faculdade só para estudantes negros. Cursou mestrado em Ciências da Computação e trabalhou como analista de balística para a Marinha americana até ingressar na Coca-Cola, em Atlanta.

Especialista no setor de fast-foods e alimentos, fez uma carreira de sucesso no Burger King, salvou a GodFather’s Pizza da falência e acabou por comprar essa rede de fast-food. Em 2006, Cain recebeu o diagnóstico de câncer de cólon e de metástase no fígado. Na época, seus médicos disseram ter ele apenas 30% de chances de sobrevivência.

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