Acusados por 11/09 dizem que querem se assumir culpados

Promotores militares de Guantánamo pedem a pena de morte para os 5 suspeitos de envolvimento nos ataques

Agências internacionais,

08 de dezembro de 2008 | 13h31

O suposto mentor dos ataques de 11 de Setembro e outros quatro réus mandaram nesta segunda-feira, 8, uma nota ao júri militar em Guantánamo, dizendo que querem confessar e se assumir culpados. O juiz militar encarregado do processo deles na base militar mantida pelos Estados Unidos na Baía de Guantánamo leu uma carta na qual os cinco solicitam "uma audiência imediata para anunciar nossas confissões."   O juiz, coronel do Exército Steven Henley, leu a nota, que começava: "Todos nós cinco chegamos a um acordo para pedir à comissão uma audiência imediata para anunciar nossas confissões... com nosso desejo mais sincero nesse pedido, sem estar sob qualquer tipo de pressão, ameaça, intimidação ou promessa de qualquer parte."   Com uma barba branca até o peito, Khalid Sheikh Mohammed, que já confessou ser o autor intelectual dos atentados de 2001, disse nesta segunda-feira que não confiava no juiz, nem nos advogados designados pelo Pentágono e nem no presidente dos EUA, George W. Bush. "Eu não confio em você", disse Mohammed, em inglês. Henley perguntou então a cada um dos réus se eles estavam prontos para fazer uma declaração de inocência ou culpa. Os promotores militares pedem a pena de morte para os cinco.   A decisão surpreendente dos cinco réus ocorreu após a retomada das audiências pelo Exército norte-americano na base naval de Guantánamo, em uma área remota de Cuba controlada pelos Estados Unidos. As audiências ocorreram como agendado até o momento, apesar de a mudança no governo dos Estados Unidos tornar improvável que o julgamento dos réus seja feito um dia na base.   O presidente eleito Barack Obama se opõe às comissões militares - como são chamados os julgamentos em Guantánamo - e prometeu fechar o centro de detenções que mantém perto de 250 prisioneiros, após assumir em 20 de janeiro. Não há uma data marcada para o julgamento, porém é certo que ele ocorrerá apenas após a posse de Obama. "Obedecemos o presidente que está exercendo a função e o seguiremos quando Obama assumir o posto", afirmou o comandante Jeffrey Gordon, porta-voz do Pentágono.   Jennifer Daskal, da Human Rights Watch, pediu a Obama que transferisse esses casos para cortes federais, "onde a atenção se centrará em supostos crimes dos acusados, ao invés de na injustiça das comissões."   Matéria atualizada às 14h40.  

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