Adolescentes resgatadas de rancho no Texas estão grávidas

Polícia retira 416 crianças e 139 mulheres de propriedade de seita poligâmica que abusava de menores

Agências internacionais,

09 de abril de 2008 | 09h06

Documentos apresentados pelas autoridades de bem-estar social do Estado do Texas, nos Estados Unidos, afirmaram na terça-feira, 8, que o rancho em que foram denunciadas práticas de poligamia e onde 416 crianças foram resgatadas no início da semana era também cenário de abusos sexuais. Meninas eram obrigadas a se casar e manter relações com homens adultos "com o propósito de ter filhos" e que muitas das menores levadas sob a tutela do Estado estão grávidas.   Além das crianças, que estão sob a guarda do Estado, 139 mulheres abandonaram voluntariamente o local depois que a polícia recebeu uma denúncia de que uma adolescente teria sido obrigada a casar com um homem de 50 anos, com quem teve um filho. O local pertence a uma seita que se separou da religião mórmon e que tem relação com o líder polígamo Warren Jeffs, detido desde novembro.   Segundo os documentos apresentados na Corte de San Angelo, as mulheres eram obrigadas a casar "espiritualmente" com homens muito mais velhos assim que elas alcançavam a puberdade. O texto afirma ainda que muitas das meninas que deixaram o local nesta semana estão grávidas e que as crianças foram levadas porque corriam o perigo de sofrer "abusos sexuais, emocionais e físicos".   Segundo o investigador Lynn McFadden, foi constatado que muitas das meninas que moravam no rancho eram obrigadas a manter atividades sexuais com adultos, uma vez que eram casadas "espiritualmente" com eles. Ele indicou ainda que se exigia na propriedade que elas tivessem muitos filhos e rapidamente.   Uma chamada feita de um telefone celular por uma menina de 16 anos foi responsável pela denúncia que revelou o rancho. Ela afirmou que não era permitido deixar o local, a não ser que estivesse doente e que seu marido de 50 anos a espancava, além de agredir a mulher que cuidava de seu bebê. As autoridades emitiram uma ordem de prisão para um dos líderes da seita, identificado como Dale Barlow.   A investigação é a mais recente a respeito da polígama Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Últimos Dias. Em novembro, o líder espiritual da seita Warren Jeffs foi condenado por uma corte de Utah a 10 anos de prisão por ser cúmplice do estupro, ao forçar uma menina de 14 anos a se casar com o primo dela, de 19 anos. Ele está preso no Arizona, à espera de julgamento por acusações similares no Estado.   A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mórmon. Os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido.   A poligamia é ilegal nos Estados Unidos, mas as autoridades relutam em enfrentar a FLDS por medo de provocar uma tragédia similar à que aconteceu em 1993 na sede da seita Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, quando 80 fiéis morreram em choques com a polícia.   Denúncia   Assustada e talvez grávida pela segunda vez neste ano, uma garota de 16 anos fez uma ligação num celular emprestado, desprezando tudo o que havia aprendido sobre contato com o mundo exterior. Ela disse que estava sendo presa no rancho YFZ, e iria ser espancada por um homem com idade três vezes superior a sua, que a mantinha como sua 7.ª esposa. Seus pais estavam pensando em mandar sua irmã mais nova, de 15 anos, para o rancho. A adolescente dizia que precisava sair de lá, segundo a rede CNN.   A primeira chamada veio através da linha de ajuda do Departamento de Família e Serviços de Proteção, às 23h32 - no horário local - em 29 de março. No dia seguinte, a jovem fez outra ligação. Dessa vez, segundo o atendente do Departamento, ela estava chorando e queria retirar a denúncia, alegando estar "bem e feliz" e dizendo que "não queria entrar em problemas."   O dramático cenário foi detalhado por depoimentos de testemunhas, que permitiram que a polícia e autoridades sociais invadissem o sítio. Mas as autoridades não conseguem dizer se a garota que fez a ligação deixou o local, ou qual é sua identidade.   Curiosamente, Dale Barlow, de 50 anos, identificado em um mandato de prisão como o marido da jovem, poderia estar vivendo em outro estado durante a invasão ao rancho, informaram jornais locais. A Polícia continua investigando o caso e agentes do FBI ajudam nas investigações. Residentes do rancho que não estão entre os possíveis envolvidos estão sendo autorizados a deixar o local, mas não podem voltar ao sítio.     (Matéria ampliada às 17h25)  

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