Advertência de guerra de Chávez é 'irresponsável', dizem EUA

Presidente venezuelano disse que acordo entre americanos e Colômbia 'soprou ventos de guerra no continente'

Efe,

13 de agosto de 2009 | 13h15

A advertência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre uma possível guerra na América do Sul ocasionada pelo acordo de bases militares entre os EUA e a Colômbia "não é responsável", afirmou nesta quinta-feira, 13, Cristopher McMullen, subsecretário adjunto dos EUA para assuntos latino-americanos, ao jornal equatoriano El Comercio.

 

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"O comentário não é responsável por não servir à causa da paz na região", afirmou o americano em resposta à declaração de Chávez no encontro da Unasul na segunda-feira, em Quito, quando o venezuelano afirmou que "ventos de guerra sopravam na América Latina" por causa do acordo que prevê a cessão do uso de sete bases colombianas aos EUA, informou a agência de notícias AFP.

 

Segundo McMullen, houve uma "confusão" em torno do acordo entre os EUA e a Colômbia. "Essa luta não é somente da Colômbia e dos EUA, mas também de todos os países da região, inclusive a Venezuela. Então seria melhor que todos os venezuelanos participem dessa luta", disse o americano.

 

Chávez, no encontro da Unasul, disse que "cumpria sua obrigação moral ao alertar" que os "ventos de guerra" causados pelo acordo "acarretariam em uma guerra na América do Sul".

 

Além da Venezuela, outros países expressaram preocupação com o acordo militar, motivo pelo qual a Unasul convocou uma reunião com seus presidentes na Argentina para discussões. McMullen, entretanto, disse que os governos que criticaram o pacto "não pediram informação" e que forneceu "informações ao Brasil porque as autoridades perguntaram". "Não temos nada a esconder", concluiu.

 

Presença americana

 

McMullen também revelou ao jornal equatoriano que os EUA pretendem assinar um acordo de redução da presença militar na Colômbia. Segundo o americano, o processo "duraria dois ou três anos", e faria com que a presença americana na Colômbia fosse "mínima". Essa é seria uma das razões pelas quais os EUA buscam assinar acordos militares com a Colômbia.

 

Segundo McMullen, o os acordos têm o objetivo de apenas garantir o acesso ao país sul-americano "em caso de haver uma emergência humanitária, um desastre, mais problemas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ou com outros grupos irregulares" e de "regularizar" a presença militar no país.

 

O subsecretário americano explicou que os acordos militares que o país negocia com o governo colombiano, como o destinado ao uso compartilhado de bases na Colômbia, buscam modernizar convênios "dos anos 50, da Guerra Fria" e atualizar "acordos informais". McMullen explicou que os convênios revisados atualmente se referem às três bases colombianas que os EUA já utilizaram, embora de fontes colombianas falarem em até sete instalações militares.

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