Advogados de Bush discutiram destruição de fitas da CIA

New York Times afirma que a Casa Branca tinha conhecimento de que interrogatórios seriam eliminados

Agências internacionais,

19 de dezembro de 2007 | 10h23

Pelo menos quatro advogados da Casa Branca participaram das discussões com o serviço de inteligência americano (CIA), entre 2003 e 2005, sobre a destruição das gravações com os interrogatórios secretos de dois membros da Al-Qaeda acusados de terrorismo. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 19, pelo jornal The New York Times, que cita como fontes ex-funcionários da administração e da CIA. As informações indicam que o envolvimento no incidente, duramtente criticado nas últimas semanas, teve um envolvimento muito maior da administração Bush do que a Casa Branca revelou. O jornal aponta que participaram das conversas o ex-secretário de Justiça e conselheiro da Casa Branca em 2005, Alberto Gonzales; David Addington, que era conselheiro do vice-presidente Dick Cheney; John Bellinger 3.º, que em janeiro de 2005 era o advogado do Conselho de Segurança Nacional e Harriet Miers, que sucedeu Gonzales no conselho. Em comunicado enviado a todos os funcionários da agência em meados deste mês, o diretor da CIA, Michael Hayden, alegou que as fitas, gravadas em 2002, teriam sido destruídas em 2005 para proteger a identidade de seus agentes. As gravações foram destruídas apesar das ordens de juízes para que o governo preservasse registros relacionados aos programas de interrogatórios.  Um ex-alto funcionário da inteligência não especificou a posição dos advogados sobre o caso, mas ele acredita que em 2005, muitas fitas já estariam particularmente danificadas depois das revelações dos abusos na prisão iraquiana de Abu Ghraib. A nova informação surge um dia após um juiz federal marcar uma audiência para apurar se a destruição do material viola uma ordem de preservação das evidências por conta do processo contra 16 acusados em Guantánamo. Uso de tortura Um ex-agente da CIA que participou da prisão e do interrogatório do primeiro suspeito de terrorismo da Al-Qaeda revelou ao jornal americano Washington Post na semana passada as técnicas de tortura utilizadas e afirmou que os meios usados pelo serviço de inteligência americana "provavelmente salvaram vidas", embora reconheça a agressividade dos métodos. Zayn Abidin Muhammed Hussein abu Zubaida, o primeiro membro do alto-escalão da Al-Qaeda capiturado depois do 11 de setembro, forneceu informações importantes em menos de um minuto após ser submetido a técnicas de afogamento, dando detalhes de planos de ataque, segundo John Kiriakou, que trabalhou para a CIA em interrogatórios no Paquistão. Abu Zubaida foi um dos detidos que tiveram os interrogatórios gravados e posteriormente destruídos, além de Abd al-Rahim al-Nashiri, outro representante importante da célula terrorista. De acordo com a agência de inteligência americana, os registros foram destruídos para proteger a identidade de agentes e porque eles não tinham mais validade para as investigações. Porém, o material pode ter sido eliminado por exibir imagens de métodos severos de interrogatório.

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