África precisa cumprir promessa democrática, diz Hillary Clinton

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, instou a África nesta quarta-feira a retomar o compromisso com a democracia, declarando que as "velhas formas de governar" não podem mais funcionar em um continente que apresenta um crescimento econômico saudável e cidadãos cada vez mais capacitados.

ANDREW QUINN, Reuters

01 de agosto de 2012 | 15h16

Hillary iniciava uma visita a sete países da África e elogiou seus anfitriões no Senegal por superarem as tensões para realizar as eleições em março, nas quais o presidente Macky Sall derrotou Abdoulaye Wade. A eleição reforçou as credenciais do país como uma das democracias mais estáveis do continente.

Mas ela disse que a democracia na África muitas vezes fica para trás, apesar de décadas de progresso econômico.

"Ainda há muitos africanos vivendo sob domínio de governantes autocráticos que se importam mais em manter o seu poder do que promover o bem-estar de seus cidadãos", disse Hillary em um discurso na Universidade de Cheikh Anta Diop, de Dacar, observando que os golpes e regimes longos reduziram a contagem de democracias eleitorais totais no continente de 24 em 2005 para 19 em 2012.

"As velhas formas de governo não são mais aceitáveis. É hora de os líderes aceitarem a responsabilidade, tratar seu povo com dignidade, respeitar os seus direitos, e entregar oportunidades econômicas. E se eles não vão (fazer isso), então é hora de eles saírem", afirmou ela.

A ordem constitucional foi restaurada no Níger e na Guiné após golpes recentes, enquanto Benin, Cabo Verde, Libéria, Nigéria, Zâmbia e Togo realizaram eleições confiáveis no ano passado.

Mas Hillary alertou que são preocupantes os caminhos adotados pelo Mali e Guiné-Bissau, afirmando que o último corria o risco de se tornar "dependente" de traficantes de drogas da América Latina.

A viagem de Hillary pela África, sua quarta como secretária de Estado dos EUA, visa reforçar a mensagem de Washington de que mercados abertos e democracias constitucionais proporcionam o alicerce mais firme para o futuro de África, disseram autoridades norte-americanas.

Ela também espera promover os Estados Unidos como uma alternativa à influência econômica e política da China, que vem crescendo rapidamente à medida que o governo chinês agressivamente corteja países africanos para ganhar acesso aos recursos madeireiros, minerais e de petróleo do continente.

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