Agentes da CIA que praticaram tortura não serão processados

Obama diz que dará segurança àqueles que executaram ações segundo Departamento de Justiça na era Bush

Agências internacionais,

16 de abril de 2009 | 16h49

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira, 16, que os oficiais da CIA que utilizaram "duras técnicas" em interrogatórios de suspeitos de terrorismo durante a administração George W. Bush não serão processados. "Nossa intenção é dar segurança àqueles que executaram suas tarefas confiando na boa fé do conselho legal do Departamento de Justiça", explicou o chefe de Estado.

 

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Logo que chegou à presidência, Obama suspendeu as polêmicas práticas nos escritórios da CIA - entre elas o afogamento simulado, que levava os interrogados à beira da morte. Durante seus oito anos na Casa Branca, Bush reconheceu que as medidas eram duras e necessárias, mas sempre defendeu que não se tratava de tortura, como afirmam órgãos da ONU, Cruz Vermelha e diversas organizações humanitárias.

 

No mês passado, um ex-advogado do Departamento de Estado, Vijay Padmanabhan, admitiu em entrevista que a administração Bush entrou em pânico depois dos atentados do 11 de setembro de 2001 e torturou prisioneiros. Também em março, um relatório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) detalhou a tortura praticada na prisão de Guantánamo, para onde os suspeitos de terrorismo eram levados.

 

O documento foi enviado pelo CICV ao governo americano, alertando sobre o tratamento dos detentos em prisões administradas pela CIA. Segundo o relatório, o tratamento era "cruel, desumano e degradante". Os delegados da entidade mantiveram contato com os suspeitos quando eles foram transferidos para Guantánamo. De acordo com 14 deles, os prisioneiros foram espancados, submetidos a temperaturas extremas, privados de dormir e torturados com simulações de afogamento - durante as quais a cabeça dos suspeitos era colocada em baldes de água até que quase desmaiassem.

 

A tortura ainda incluía o choque da cabeça dos interrogados contra a parede, banhos gelados e músicas em níveis de volume insuportáveis. "Diariamente, uma corrente era colocada no meu pescoço e usada para jogar-me contra a parede", afirmou Walid bin Attash, um dos prisioneiros.

 

Uma das primeiras medidas de Obama à frente da presidência americana foi decretar o fim de Guantánamo em 12 meses. O destino dos cerca de 250 prisioneiros, porém, continua incerto, apesar de alguns países da União Europeia terem se mostrado dispostos a recebê-los.

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