Agora livre de Ebola, enfermeira norte-americana defende decisão de viajar

Uma das enfermeiras norte-americanas que ajudaram a tratar um liberiano com Ebola no Texas no mês passado defendeu sua polêmica decisão de viajar depois de tratar o paciente, afirmando que ela não foi impedida de fazer viagens e que se sentiu bem durante o trajeto.

SUSAN HEAVEY, REUTERS

06 de novembro de 2014 | 13h36

Em entrevista que foi ao ar nesta quinta-feira, Amber Vinson, 29 anos, também disse ter recebido pouco treinamento para lidar com pacientes com o vírus que tem causado várias mortes na África Ocidental e que não tinha nenhuma experiência com o equipamento de proteção necessário para lidar com esse tipo de paciente antes de tratar o liberiano Thomas Duncan, que morreu posteriormente.

"Não tivemos muito treinamento", disse ela ao programa "Today" da emissora NBC, ao falar de seu trabalho no Hospital Presbiteriano do Texas, em Dallas, onde tratou Duncan. "A primeira vez que eu coloquei o equipamento de proteção, eu estava indo tratar o paciente."

Amber Vinson foi infectada logo depois que sua colega Nina Pham, 26 anos, se sentiu mal por causa do vírus em outubro, o que tornou ambas as duas primeiras pessoas nos Estados Unidos a contraírem Ebola.

Mais de 4 mil pessoas foram mortas pela doença, a maioria na Libéria, Serra Leoa e Guiné, os três países africanos mais atingidos pelo vírus, que se espalha pelo contato direto com os fluidos corporais de uma pessoa infectada.

As duas enfermeiras norte-americanas se recuperaram, mas o caso de Amber gerou alarme porque ela viajou de avião para Ohio depois de tratar Duncan e informou ter uma leve febre em sua viagem de volta ao Texas, o que levou autoridades de saúde a buscar e monitorar pessoas que tiveram contato com ela.

"Nunca me disseram que eu não podia viajar", disse à NBC falando de Dallas.

Ela disse que não tinha nenhum contato direto com o Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), mas que conversou por duas vezes com seu supervisor antes de viajar no fim de semana.

"Eles disseram que o CDC disse que eu poderia ir", afirmou.

Ela disse ter ficado preocupada ao saber da doença de Pham enquanto estava em Ohio e contatou autoridades locais sobre como voltar ao Texas. "Eu estava preocupada", disse à NBC.

Ela rejeitou as críticas que sofreu por ter viajado e defendeu seu treinamento como enfermeira, afirmando que fez "tudo que me foi instruído a fazer, todas as vezes" durante o tratamento de Duncan.

"Não sou descuidada, não sou negligente", disse ela.

Amber, que posteriormente foi transferida do hospital no Texas para o hospital da Universidade Emory, em Atlanta, que tratou com sucesso outros pacientes com Ebola, disse que, apesar do que passou, não teria dúvidas sobre tratar um outro paciente com Ebola.

"Eu jamais poderia ver um paciente que precisa de ajuda e não fazer tudo que eu puder para ajudá-lo", disse.

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