Ajuda começa a chegar à Geórgia; Ossétia do Sul continua fechada

A Organização das Nações Unidas(ONU) e a Cruz Vermelha enviaram centenas de toneladas desuprimentos para a Geórgia, mas ainda esperam por melhorescondições de segurança antes de ingressar na Ossétia do Sul,afirmaram as duas entidades na sexta-feira. Apesar de autoridades ossetianas do sul, russas egeorgianas terem dado ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha(ICRC) luz verde para entrar naquela região separatista, oorganismo ainda aguarda por mais garantias. "Estamos prontos para partir a qualquer momento, tanto daOssétia do Norte quanto da capital da Geórgia, Tbilisi",afirmou Anna Nelson, porta-voz do ICRC, em uma entrevistacoletiva. "Entraremos em ação assim que garantias nos sejam dadas emtermos de segurança e assim que tenhamos certeza de que não hámais perigo." A agência humanitária, que é neutra, já enviou 100toneladas de material de ajuda para a Geórgia e outras 45toneladas devem chegar na sexta-feira. "Estamos agindo com força máxima, distribuindo suprimentose garantindo acesso à água em abrigos localizados dentro e nascercanias de Tbilisi", acrescentou a porta-voz. Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,disse estar preocupado com a situação humanitária e a ausênciade controle em algumas áreas da Geórgia, em especial na Ossétiado Sul e na região de Gori, que continua isolada em meio arelatos sobre saques realizados por milícias ilegais. "Para nós, a questão se resume a questão do acesso -- livree total -- à Ossétia do Sul, à área de Gori e também aosportos", afirmou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório deCoordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), da ONU. Soldados russos invadiram a Geórgia, na semana passada,depois de o governo georgiano tentar retomar o controle sobre aregião separatista da Ossétia do Sul, pró-Rússia. PERIGO PARA GRUPOS DE AJUDA Chamando atenção para o perigo a que estão expostos osgrupos de ajuda, homens vestidos com uniformes militares semidentificação obrigaram, na região de Gori, na quinta-feira,dois funcionários da ONU a entregarem seus veículos. Antonio Guterres, alto comissário da ONU para refugiados,viajará até a Geórgia e a Rússia na próxima semana para avaliarpessoalmente as operações de ajuda realizadas nos dois países,disse o porta-voz dele, Ron Redmond. Mais de 118 mil pessoas foram expulsas de suas casas peloconflito, entre as quais 30 mil que cruzaram a fronteiraingressando na Rússia, afirmou Redmond. O Alto Comissariado das Nações Unidos para Refugiados(Acnur) enviou mais de 100 toneladas de material de ajuda paraa Geórgia, nesta semana. Autoridades da Comissão Européia (Poder Executivo da UniãoEuropéia, UE) presentes em Moscou aguardavam que a Rússiapermitisse a entrada de seu especialista em questõeshumanitárias na Ossétia do Sul. "Nós perguntamos quando isso seria possível e fomosinformados de que poderemos entrar ali quando houver maissegurança", disse Taneli Lahti, autoridade da Comissão. Um membro da unidade de ajuda humanitária do órgão elogiouas condições dos campos de refugiado montados na região russada Ossétia do Norte, perto da zona de conflito. "A resposta do Ministério de Emergências da Rússia e daCruz Vermelha local mostra-se bastante eficiente em termos deatendimento médico e distribuição de alimentos", afirmou SamuelMarie-Fanon, depois de ter visitado aquelas áreas nesta semana. Marie-Fanon calcula que há cerca de 4.000 pessoas noscampos de refugiados e disse ter ouvido que outras 12 milestavam hospedadas na casa de moradores da Ossétia do Norte.

STE, REUTERS

15 de agosto de 2008 | 13h08

Tudo o que sabemos sobre:
GEORGIAAJUDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.