Al-Qaeda está perto da derrota no Iraque, diz CIA

Em entrevista a jornal, chefe da agência de inteligência americana diz que rede está recuando globalmente

BBC Brasil, BBC

30 de maio de 2008 | 08h45

O chefe da CIA (agência de inteligência americana), Michael Hayden, disse que a rede extremista Al-Qaeda está "basicamente derrotada" no Iraque e na Arábia Saudita. Em entrevista ao jornal Washington Post, Hayden disse que em outros países a rede está na "defensiva". Segundo a BBC, as declarações de Hayden foram consideradas por analistas como "muito otimistas", já que há menos de um ano a CIA havia alertado para um "ressurgimento" da Al-Qaeda. O chefe da CIA ainda disse que as operações bem sucedidas contra o terrorismo também haviam se estendiam para a fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, onde acredita-se que Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, esteja escondido. "No geral, estamos nos saindo muito bem", disse Hayden ao diário americano. "A Al-Qaeda está, estrategicamente, quase derrotada no Iraque e na Arábia Saudita e sofreu reveses significativos globalmente." Hayden ainda disse ao Washington Post que capturar ou matar Bin Laden e seu vice, Ayman al-Zawahiri, continua sendo a principal prioridade. No entanto, ele alertou para o perigo de complacência, que poderia reverter os progressos obtidos até agora na luta contra a Al-Qaeda. Há dois anos, a CIA alertou que o grupo militante islâmico estava usando a guerra no Iraque, liderada pelos Estados Unidos, como ferramenta de propaganda. Hoje, no entanto, a rede estaria perdendo a batalha pelos "corações e mentes" no mundo islâmico, acrescentou Hayden. "Apesar do fenômeno pela 'causa célebre', ninguém de fato gosta da visão que a Al-Qaeda tem do futuro", disse ele. O chefe da CIA afirmou que as tropas americanas estão alcançando progressos significativos no Iraque, que podem ser minados pela interferência iraniana. Os Estados Unidos acusam o Irã de financiar, armar e treinar insurgentes iraquianos. Autoridades norte-americanas responsabilizam a Al-Qaeda pela maior parte dos grandes bombardeios no país, incluindo um ataque a um santuário em Samarra, em fevereiro de 2006, evento que despertou uma série de matanças sectárias que deixam o Iraque à beira da guerra civil. Hayden disse ao Post que os sucessos do contraterrorismo chegam até à fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, região sem lei onde acredita-se que Osama Bin Laden esteja escondido. "A habilidade de capturar e matar membros cruciais da Al-Qaeda continua e isso os desestabiliza - mesmo em sua maior fortaleza, na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão", disse Hayden.

Tudo o que sabemos sobre:
CIAEUAAl-Qaeda

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.