Al-Qaeda pode estar retomando forças, diz relatório dos EUA

Documento revela ameaça de novos ataques da rede terrorista; Casa Branca nega

Agências internacionais

12 Julho 2007 | 15h34

Um relatório do governo dos Estados Unidos revelou nesta quinta-feira, 12, que a rede terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden, pode estar retomando a força que tinha antes dos ataques de 11 de setembro de 2001.O documento do Centro Nacional Contraterrorismo (NCTC, em inglês) relata que o grupo passou seis anos se reconstruindo e pode ter feito isso de seus refúgios em áreas tribais e remotas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão.Poucas horas depois da divulgação dos documentos, o governo americano minimizou o relatório, afirmando que a rede Al-Qaeda possa estar tão forte hoje em dia quanto era antes dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos."Há uma percepção na cobertura (da imprensa) de que a Al-Qaeda seja hoje tão forte quanto antes de 11 de Setembro. Isso simplesmente não é o caso", afirmou o presidente americano, George W. Bush.Além de Bush, o secretário de Segurança Interna norte-americano, Michael Chertoff cuidou de diminuir o perigo da ´iminente´ possibilidade de ataque contra o país. "Eu não colocaria as coisas nesse nível", disse o secretário durante o programa Good Morning America, da rede de TV ABC. "Acredito que realizamos grandes avanços quanto ao desmantelamento das atividades deles no exterior e quanto à mobilização de nossas próprias defesas. Mas acredito, isso sim, que o inimigo continua, como antes, desejando nos atacar."AmeaçaO documento de cinco páginas ainda deve ser avaliado por Chertoff e outras autoridades do governo em um encontro marcado para ocorrer ainda nesta quinta-feira.Em um trecho, o relatório afirma que a Al-Qaeda está "consideravelmente mais forte que anos atrás" e está "reagrupada de uma forma não vista desde 2001", segundo informou uma autoridade não identificada. "Eles estão mostrando maiores e maiores habilidades de planejar ataques na Europa e nos EUA."Importantes analistas da área de inteligência afirmaram ao Congresso do país, na quarta-feira, que as atividades de treinamento, captação de verbas e comunicação da Al-Qaeda intensificavam-se à medida que a rede criava raízes nas novas bases do oeste do Paquistão.Em declarações a um jornal, Chertoff afirmou, nesta semana, que seu "instinto" lhe indicava haver um risco maior de os EUA sofrerem um ataque neste verão (junho a agosto no hemisfério norte).Mas, nesta quinta-feira, o secretário afirmou: "não temos nenhuma informação específica a respeito de um ataque iminente ou quase iminente a acontecer no território nacional. Estamos analisando o quadro estratégico para os próximos seis a 12 meses. Estamos avaliando a configuração dele".Um "mal-entendido" fez com que um vôo tivesse seu destino alterado. O vôo 136 da American Airlines, que ia de Londres a Nova York, fez um pouso de emergência depois de a tripulação relatar a presença de um passageiro suspeito.Cerca de 200 passageiros tiveram de pegar outros aviões.Nas últimas semanas, membros do centro antiterrorismo expressaram preocupação com a possibilidade de um novo ataque nos EUA, dizendo que diversos fatores, entre eles os recentes atentados frustrados em Londres e Glasgow, os têm deixado no limite.O FBI direcionou um pequeno grupo de agentes e analistas para examinar novas ameaças.

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