Al-Qaeda pode se restabelecer no Afeganistão, alertam EUA

Comitê do Senado se reúne no 8.º aniversário da guerra; 'táticas dos terroristas evoluíram', diz John Kerry

Efe,

07 de outubro de 2009 | 18h18

Líderes do Senado dos Estados Unidos alertaram nesta quarta-feira, 7, em audiência que a rede terrorista Al-Qaeda pode se restabelecer no Afeganistão caso não haja uma soma de esforços para combater os taleban. A audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano coincidiu com o oitavo aniversário da guerra no Afeganistão, lançada para derrubar o regime dos taleban após os atentados de 11 de setembro de 2001, e privar a Al-Qaeda de sua base de operações.

 

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Paralelamente, o presidente americano, Barack Obama, se reuniu a portas fechadas com seus assessores de segurança nacional e comandantes militares para outra sessão de análise sobre os passos a seguir no Afeganistão. No início da audiência, o presidente do Comitê, o democrata John Kerry, disse que, apesar dos esforços redobrados para desarticular a Al-Qaeda, a organização continua sendo uma ameaça para a estabilidade na região.

 

"Esta é uma batalha contra os extremistas. Assim como nossas táticas evoluíram, as dos terroristas também", advertiu Kerry, apesar de mencionar avanços contra os grupos extremistas no Afeganistão. O senador Richard Lugar, o republicano de maior categoria no Comitê, lembrou que, de acordo com o que especialistas disseram em audiências recentes, o restabelecimento da Al-Qaeda "seria quase inevitável" com o retorno de um governo taleban a Cabul.

 

Lugar considerou que é insuficiente, embora importante, prender ou matar terroristas e impedir possíveis atentados porque, segundo ele, também é preciso atacar as fontes de financiamento destes grupos. "Um dos aspectos mais importantes para combater a Al-Qaeda é o esforço internacional para identificar e eliminar suas fontes de financiamento", afirmou Lugar.

 

A eliminação da Al-Qaeda de lugares como o Paquistão não resolve o problema do terrorismo global porque a rede tem simpatizantes na Ásia, África, Europa e nas Américas, segundo o republicano. "A liderança da Al-Qaeda continua sendo uma ameaça operacional e ideológica que requer nossos esforços mais firmes", disse Lugar.

 

Em paralelo, o Pentágono entregou a Obama o pedido de reforços para o Afeganistão apresentado pelo comandante das tropas americanas do país, general Stanley McChrystal, informou nesta quarta o porta-voz do Departamento de Defesa, Geoff Morrell. Em entrevista coletiva, Morrell disse que "o presidente pediu uma cópia e o secretário de Defesa, Robert Gates" a entregou na semana passada.

 

Segundo o porta-voz, o documento não será divulgado até que Obama tenha tomado uma decisão sobre qual será a estratégia no Afeganistão. Morrell ressaltou que as discussões entre o presidente e seus assessores - pelo menos cinco programadas para esta semana - "são privadas" e que os envolvidos "não podem compartilhá-las com ninguém fora do círculo de confiança."

 

Na terça-feira, Obama se reuniu por cerca de 90 minutos com líderes democratas e republicanos de ambas as câmaras do Congresso, os quais demonstraram preocupação com a escalada da violência no Afeganistão.

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