Albright critica Chávez e Bush e reabre polêmica na Argentina

Ela afirmou ainda que a Argentina "deveria abrir" as suas estatísticas oficiais

EFE,

03 de novembro de 2007 | 01h57

A ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright criticou neste sábado, 3, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o da Venezuela, Hugo Chávez, além de reabrir uma polêmica sobre as estatísticas oficiais da Argentina, durante um congresso empresarial em Buenos Aires. Albright, atualmente assessora da pré-candidata democrata Hillary Clinton, "que será a próxima presidente dos EUA", segundo afirmou, foi convidada para a Expo Management 2007. Ela disse num almoço com empresários que Chávez "compra seus amigos e causa a instabilidade da região". "É preocupante a forma como alguns países respondem a seus pedidos", acrescentou a chefe da diplomacia dos Estados Unidos de 1997 a 2001, durante o Governo democrata de Bill Clinton. Ela afirmou ainda que a Argentina "deveria abrir" as suas estatísticas oficiais, num momento em que a Justiça de Buenos Aires investiga a suposta manipulação dos índices de inflação. "É certo que não há muito investimento dos Estados Unidos na Argentina, mas há vontade. Primeiro, o Governo argentino deveria abrir as suas estatísticas, porque ninguém acredita no Instituto Nacional de Estatísticas e Censos", acusou. Ao comentar a política dos EUA, Albright disse que o Governo Bush levou o país "à pior derrota diplomática da história, inclusive muito pior que a do Vietnã". O chefe do Gabinete argentino, Alberto Fernández, considerou as críticas de Albright "pouco felizes". "Acho pouco feliz que alguém chegue dos Estados Unidos e diga coisas dessa natureza. O que fazemos na Argentina é o mesmo que a administração americana fez durante os anos 80, revendo o índice de medição de preços", comentou o ministro, em declarações à emissora "Rádio 10". Segundo o Indec, a inflação acumulou uma alta de 5,9% nos primeiros nove meses do ano, metade do índice apontado por consultorias privadas. Atualmente, 42% dos títulos da dívida argentina (um total próximo de US$ 140 bilhões) incluem um reajuste pelo índice de inflação. Assim, a polêmica sobre as estatísticas oficiais afeta os investidores. No fórum empresarial, Albright disse que existem "expectativas genuínas" do sobre a presidente eleita da Argentina, a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner. Ela assumirá o Governo no dia 10 de dezembro. "Como em toda mudança de Governo, estamos esperando e observando quais serão as suas políticas", disse Albright. Ela opinou que nos EUA "foram consideradas muito positivas" as promessas da presidente eleita de modernizar o sistema de medição dos preços, que reflete o indicador oficial d inflação. "Muita gente nos EUA deseja uma boa relação bilateral com a Argentina, tanto econômica quanto política", disse.

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