'Alerta' teria evitado massacre em Virginia Tech, diz relatório

Comissão estadual conclui que instituição teria poupado mortes se tivesse adotado procedimentos adequados

REUTERS

30 de agosto de 2007 | 10h21

A universidade americana Virginia Tech poderia ter evitado que o atirador Seung-Hui Cho fizesse mais vítimas se tivesse alertado e tomado os procedimentos corretos ao tomar conhecimento das duas primeiras mortes no campus. A afirmação foi feita no relatório divulgado na quarta-feira, 29, que analisou as circunstâncias do massacre que fez 33 vítimas, incluindo o atirador.  Você acha que professores poderiam ter prevenido o massacre? A comissão criada pelo governador da Virgínia, Tim Kaine, determinou que vidas poderiam ter sido salvas caso os funcionários dessem o alerta depois que o estudante Seung-Hui Cho fez suas duas primeiras vítimas, num alojamento estudantil, na manhã de 16 de abril deste ano. Porém, os autores do relatório consideraram que seria impraticável fechar os 131 edifícios existentes no campus. O texto, divulgado no site do governador, diz que a polícia universitária concluiu prematuramente que sua pista inicial sobre os primeiros disparos era boa. Só que a polícia perseguiu outro suspeito, que teria saído do campus. "Alertar os estudantes e os funcionários poderia ter feito a diferença", concluíram os investigadores. "Um aviso antecipado e claro aumentaria as chances de sobrevivência." Problemas psicológicos O relatório estadual diz que os funcionários da Virginia Tech não notaram numerosos sinais de que Cho era problemático, pois interpretaram de forma equivocada as leis federais que protegem a privacidade dos cidadãos e, portanto, proíbem a troca de informações sobre sua saúde mental. De acordo com o relatório, a polícia do campus sabia que Cho tinha um histórico de comportamentos problemáticos e havia sido internado por problemas mentais. Esses dados, porém, nunca chegaram aos funcionários da universidade encarregados de atender alunos perturbados. Ao contrário do que pensavam os funcionários, as leis federais de privacidade permitiriam a comunicação sobre parte de seus problemas às autoridades do campus, do município e do Estado. "O sistema falhou por falta de recursos, interpretação incorreta das leis de privacidade e passividade", afirma o texto do relatório. As motivações de Cho, que se matou, não foram compreendidas, mas sabe-se que ele tinha grande interesse pelo massacre de 13 pessoas cometido em 1999 por dois alunos da escola Columbine, no Colorado. Antecipação de planos Segundo reportagem publicada na edição de quarta-feira do jornal The Washington Post, Cho Seung-hui, o jovem que causou o maior massacre estudantil da história dos Estados Unidos em 16 de abril, antecipou os planos em uma redação de classe. No trabalho, redigido um ano antes do incidente que chocou os Estados Unidos, Cho falava de um pistoleiro que pensava em invadir atirando um estabelecimento de ensino, diz o jornal, citando fontes que tiveram acesso ao texto. O jornal aponta que alguns professores conheciam o trabalho e falaram sobre ele dias antes dos assassinatos. Ainda assim, os diretores da universidade não haviam levado o texto à comissão de inquérito até o fim de semana. Além disso, o texto foi recebido pela polícia estadual antes do crime, mas as agências federais envolvidas não sabiam de sua existência, diz o jornal. Alguns dos pais das vítimas criticaram a falta de coordenação entre as agências.

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