Alguns soldados dos EUA discordam de promessa de Obama para gays

Muitos soldados dos EUA no Iraque ficaram extasiados ao assistir ao presidente Barack Obama tomando posse, mas alguns ficaram insatisfeitos com algo que o democrata prometeu fazer: permitir que soldados gays e lésbicas prestem serviço militar abertamente. Obama disse durante sua campanha que se opõe a uma lei de 1993 que afirma que homossexuais não devem trabalhar nas Forças Armadas norte-americanas. A lei é conhecida informalmente como a regra "não pergunte, não conte". Este mês o porta-voz de Obama Robert Gibbs, indagado se a nova administração pretendia revogar a lei, respondeu no site na Internet da transição presidencial: "Não se ouvem muitos políticos dando uma resposta de uma palavra. Mas a resposta é 'sim'". Mas alguns dos 140 mil soldados norte-americanos que ainda estão no Iraque quase seis anos após a invasão liderada pelos Estado Unidos para derrubar Saddam Hussein parecem estar preocupados com essa perspectiva. Joseph Watson, do Texas, assistiu à posse de Obama numa tevê de tela grande na cantina da Base de Operações Avançadas Prosperidade, em Bagdá, e disse que a posse do primeiro presidente negro dos EUA o emocionou. Mas o soldado de 30 anos estava bem menos emocionado com a probabilidade de Obama revogar a proibição do serviço militar de homens e mulheres homossexuais. "Acho que isso pode causar muitos problemas", afirmou. "É uma questão moral grande. Representa dar um ok, dizer que ser gay é ok. Pessoalmente, não concordo." A cada ano as forças armadas americanas expulsam centenas de soldados por "conduta homossexual," embora o número de expulsos por esse motivo tenha caído de 1.145 em 1998 para 627 em 2007, segundo cifras das próprias forças armadas. Muitos soldados norte-americanos vêm dos chamados "Estados vermelhos", de maioria republicana, onde a oposição ao aborto e à homossexualidade tem raízes profundas, e muitos temem que uma administração democrata signifique aumento dos impostos, casamento gay e leis restringindo a posse de armas. Mesmo soldados dos Estados de maioria democrata frequentemente têm valores cristãos que, afirmam, entram em choque com a proposta de Obama. O soldado Justin Scharan, do Estado de Washington, teve dificuldade em disfarçar um sorriso malandro quando indagado sobre como vê a questão. "Sou cristão, então de modo geral não acho que seja uma coisa boa. Mas, se acontecer, não haverá muito a fazer", afirmou ele. Obama se opôs à proibição aos casamentos gays na Califórnia, em novembro. Ele já declarou que é a favor dos direitos iguais para casais homossexuais. O assunto é motivo de discussões acirradas entre progressistas e conservadores.

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