ANÁLISE-Derrota em Iowa mancha favoritismo de Hillary

A surpreendentederrota da democrata Hillary Clinton para Barack Obama em Iowatornou mais ralo o ar de vitória garantida que a campanha delaà Presidência dos EUA tentava projetar e legou-lhe a batalhapolítica mais importante de sua vida. A senadora pelo Estado de Nova York e ex-primeira-dama dopaís, 60, agora precisa provar que consegue levantar-se após umtropeço. Hillary depara-se com seu próximo teste na terça-feira, emNew Hampshire, onde Obama, 46, concorrente dela nas prévias doPartido Democrata para escolher o candidato da legenda àeleição presidencial, vem subindo nas pesquisas, aindalideradas pela senadora. Iowa foi o primeiro Estado a realizar prévias, tanto entreos democratas quanto entre os republicanos. O prêmio pelavitória ali chega na forma de um empurrão valioso na campanha edo título temporário de líder da corrida que termina com aeleição presidencial em novembro. O vencedor do pleito de novembro sucederá o atualpresidente norte-americano, George W. Bush, em janeiro de 2009. "Acho que ela está em apuros", afirmou Merle Black,professor de ciência política na Universidade Emory, emAtlanta. "A campanha de Hillary precisa repensar muita coisa agora",afirmou. "Mas eles não estão fora da disputa e ela pode sercapaz de recuperar-se." Obama, o senador pelo Estado de Illinois que se eleito setornaria o primeiro presidente negro dos EUA, fez promessas demudança para ganhar uma fatia importante do eleitoradodemocrata majoritariamente branco de Iowa, vencendo Hillary,que ficou em terceiro lugar, um pouco atrás do ex-senador JohnEdwards, 54. "Chegou a hora das mudanças", afirmou Obama, entusiasmado,a partidários dele após a vitória. Obama e Hillary travam há meses uma batalha já clássica nocenário político dos EUA --Obama promete mudar a forma comoWashington funciona enquanto Hillary apresenta-se como acandidata "forte e experiente". O senador prometeu conversar abertamente com líderes depaíses considerados hostis como o Irã, Cuba e a Síria. Hillarye o marido dela, o ex-presidente Bill Clinton, tentaramlevantar dúvidas sobre a experiência de Obama. Bill Clinton descreveu-o como uma escolha arriscada einexperiente, perguntando se os norte-americanos estavamdispostos a "apostar" nele. Em Iowa, o fator mudança parece ter vindo em primeirolugar. Jovens se juntaram à campanha de Obama em grande número,comparados às pessoas mais velhas que foram a base de apoio deHillary. "Eu creio que Obama foi capaz de gerar algum entusiasmosobre sua candidatura que Hillary não pôde gerar e que apromessa de algo diferente de Obama é um pouco melhor do que ofoco de Hillary na experiência", disse Peverille Squire,professor de ciência política na Universidade de Iowa. As prévias do Estado de New Hampshire serão cruciais paraHillary, e as comparações tornaram-se inevitáveis entre ela e omarido, que ficou em segundo lugar naquela disputa em 1992 eque se autodenominou o "Garoto da Volta por Cima" após umperíodo de muita publicidade negativa a respeito de suainfidelidade marital e de sua ficha nas Forças Armadas.

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