ANÁLISE-Economia e guerra no Iraque embaralham eleição nos EUA

Uma economia cambaleante, uma guerraimpopular no Iraque, oito anos de controle republicano sobre aCasa Branca -- tudo isso soma-se para indicar a vitória dosdemocratas na eleição presidencial de novembro, nos EstadosUnidos, certo? Talvez sim. Talvez não. Muitos democratas e analistas de política acreditam que opartido oposicionista conta com uma vantagem natural neste ano,em vista dos clamores por mudança que tomaram conta do paísapós os dois mandatos consecutivos do presidente George W.Bush. Os sinais de alerta piscando para os republicanos sãoevidentes, por exemplo, nas cifras de comparecimento às urnasem algumas das prévias que já ocorreram nos Estados paradeterminar os candidatos de cada partido para se enfrentaremnas eleições de novembro. Em Iowa, New Hampshire e Nevada, o comparecimento às urnasentre os democratas somou duas vezes mais eleitores do queentre os republicanos, sugerindo um nível maior de entusiasmodo lado da oposição em meio ao que alguns apontam como acorrida presidencial mais indefinida dos últimos 50 anos dehistória dos EUA. "Acho que os republicanos enfrentarão uma batalhaduríssima, e isso porque a guerra no Iraque, apesar de ter seestabilizado depois do aumento do contingente militar, está comcinco anos e não conta com um fim à vista. Além disso, aeconomia encaminha-se para um período turbulento", disse CalJillson, professor de ciências políticas na UniversidadeMetodista do Sul, em Dallas. Nos últimos 50 anos, a única vez em que um partidoconseguiu três mandatos consecutivos deu-se quando orepublicano Ronald Reagan venceu duas vezes e foi sucedido porseu vice-presidente, George H. W. Bush, que deixou o cargo 15anos atrás. Mas há muitas pessoas apostando que os republicanos estãoaptos a reverterem as desvantagens históricas. Um exemplo é apesquisa abaixo. Uma enquete da CNN/Opinion Research Corporation perguntouaos eleitores sobre quem teria a personalidade e as qualidadesde liderança necessárias para ser presidente do país. Orepublicano John McCain obteve 60 por cento de aprovação, odemocrata Barack Obama, 60 por cento e a democrata HillaryClinton, 55 por cento. "A corrida presidencial agora parece estar empatada -- ouaté talvez um pouco favorável aos republicanos", escreveu PaulStarr, co-editor da revista liberal American Prospect, nojornal Washington Post. INSEGURANÇA, DOS DOIS LADOS Há motivos de sobra para insegurança, dos dois lados. Hillary, senadora pelo Estado de Nova York, conta com umaimagem desfavorável junto a uma grande fatia do eleitorado quenão deseja ver os Clinton regressando à Casa Branca. Obama,senador por Illinois, defendeu de forma vigorosa a realizaçãode mudanças, mas possui pouca experiência na área de políticaexterna. Do lado republicano, o ex-governador de Massachusetts MittRomney, na qualidade de bem-sucedido investidor de risco,possui experiência em questões econômicas. No entanto carece deformação na área de segurança nacional. Já McCain, senador peloArizona, conta com experiência nas áreas de política externa esegurança nacional, mas não conhece muito bem o setor daeconomia. Ainda assim, os republicanos acreditam ter boas chances devitória em novembro. E gostaram do debate acalorado realizadona segunda-feira à noite entre Obama e Hillary. A atenção dos norte-americanos volta-se agora para aeconomia dos EUA, atingida por uma crise no mercado imobiliárioque ameaça atirar o país em uma recessão."Se a economia se encaminha para uma recessão, isso favorece osdemocratas", observou Andy Smith, professor de ciênciaspolíticas na Universidade de New Hampshire. (Com reportagem de Ed Stoddard)

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