ANÁLISE-Romney precisa dos '47 por cento' para vencer nos EUA

O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney, não está se esquivando de um vídeo feito por câmera escondida que o mostra depreciando quase metade dos eleitores da nação.

ANDY SULLIVAN, Reuters

19 de setembro de 2012 | 14h11

Mas ficou claro na terça-feira que ele ainda tem muitas explicações para dar, se quiser conquistar a ampla faixa de eleitores de cujo apoio vai precisar para retirar o democrata Barack Obama da Casa Branca na eleição de 6 de novembro.

Enquanto os Democratas de Obama têm se concentrado na crescente divisão entre os 1 por cento de norte-americanos mais ricos e os demais 99 por cento, Romney deu voz a uma divisão que tem preocupado os conservadores durante o último ano: os 53 por cento que pagam imposto de renda federal e os 47 por cento que não pagam.

Nas declarações filmadas em um evento de arrecadação para a campanha, com ingresso de 50 mil dólares, na Flórida, em maio - divulgado na segunda-feira pela revista esquerdista Mother Jones - Romney igualou o segundo grupo com aqueles que apoiam Obama.

"Meu trabalho não é me preocupar com essas pessoas", diz Romney no vídeo. "Eu nunca vou convencê-los de que devem assumir a responsabilidade pessoal e cuidar de suas vidas."

Mas, para ganhar a eleição de 6 de novembro, Romney vai precisar do apoio de muitos desses "tomadores", como seu vice na chapa, Paul Ryan, os chamou.

Os "47 por cento" não são apenas moradores de baixa renda das cidades que contam com vale-alimentação, apoio à habitação e outros programas que tradicionalmente têm sido defendidos pelos democratas.

Muitos são aposentados e eleitores da classe trabalhadora que se preocupam com o papel do governo em suas vidas e tenderam a votar em republicanos nos últimos anos, mesmo aproveitando os créditos tributários e a assistência do governo.

O desafio de Romney agora é suavizar sua linguagem direta em um apelo eficaz para aqueles que enfrentam dificuldades na esteira da pior recessão no país desde os anos 1930.

EXPLICAÇÃO COMPASSIVA

Analistas dizem que Romney terá que garantir aos eleitores que poderia ser um presidente para todos os norte-americanos, e não apenas a metade deles.

"Ele vai ter que explicar isso de uma maneira muito mais concisa e compassiva, especialmente quando Obama provavelmente o desafiar sobre isso", afirmou o estrategista republicano Ron Bonjean.

Até agora, Romney tem sido incapaz de traduzir a insatisfação generalizada com a economia em uma liderança nas pesquisas, uma vez que os eleitores de forma consistente avaliaram Obama como mais agradável e confiável.

Romney, um ex-executivo do setor de investimentos, com uma fortuna estimada de 250 milhões de dólares, já está lutando contra a percepção de que é um elitista sem contato com o cidadão comum, em parte por causa de anúncios da equipe de Obama que mostraram Romney como um eliminador de empregos, cuja empresa, a Bain Capital, enviou milhares de vagas de trabalho dos Estados Unidos para o exterior.

O vídeo pode cimentar a percepção de que ele não se importa com as preocupações dos norte-americanos comuns, disseram vários observadores.

O porcentual de famílias norte-americanas que não pagou imposto de renda em 2011 ficou mais perto de 46 por cento, de acordo com o Centro de Política Fiscal, um órgão apartidário. O Escritório do Censo afirma que um recorde de 49 por cento das famílias recebeu benefícios do governo este ano.

Ambas as cifras têm aumentado consideravelmente nos últimos anos por causa do envelhecimento da população e da pior recessão no país desde a década de 1930.

Mas a divisão entre "criadores" e "tomadores" de riqueza não é tão simples como expressou Romney.

Segundo o Censo de Política Tributária, quase dois terços dos que não recolhem imposto de renda, pagam impostos federais sobre a folha de pagamento, os quais revertem para o programa de pensões da seguridade social e o plano de saúde Medicare.

Muitos são isentos graças a reduções e isenções tributárias impulsionadas pelos republicanos.

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