Manuel Balce Ceneta/AP
Manuel Balce Ceneta/AP

Antes de viagem à América Latina, Hillary alerta sobre 'manobras' do Irã

Secretária de Estado dos EUA diz que República Islâmica pretende evitar sanções da ONU

Reuters

07 de junho de 2010 | 10h40

WASHINGTON - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, alertou nesta segunda-feira, 7, sobre as "manobras" do Irã, antes de embarcar para uma visita à América Latina, região cuja principal potência, o Brasil, se opõe à campanha americana para que a Organização das Nações Unidas (ONU) adote novas sanções à República Islâmica.

 

Hillary afirmou que o Irã fará "alguma manobra" nos próximos dias para tentar evitar sanções, mas previu que isso não vai funcionar. "Acho que veremos algo aparecendo nas próximas 24 a 48 horas", disse ela a jornalistas a bordo do seu avião, antes de partir. "Não acho que ninguém vai se surpreender se eles tentarem desviar mais uma vez a atenção da unidade dentro do Conselho de Segurança (da ONU) ..., mas temos os votos (para aprovar as sanções)."

A secretária participará no Peru de uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) e, em seguida, irá ao Equador, à Colômbia e a Barbados.

O governo do presidente Barack Obama tem sido criticado na América Latina pela falta de resultados concretos em suas promessas de estreitar a cooperação com a região e tratar temas delicados, como o embargo a Cuba e as leis norte-americanas de imigração.

"As expectativas na região foram muito além da realidade, e há certo desapontamento e cinismo", disse Eric Farnsworth, vice-presidente da entidade Conselho das Américas, de Washington. "Algumas dessas coisas são diabolicamente difíceis, e não vai acontecer da noite para o dia. A secretária vai tentar colocar isso num contexto mais amplo", completou. 

A questão do Irã abalou as relações Brasil-EUA. Washington quer levar a votação nesta semana uma nova resolução da ONU contra o Irã, mas Brasil e Turquia, membros temporários do Conselho, defendem que haja mais tempo para a diplomacia. Os dois países mediaram no mês passado um acordo de intercâmbio de combustível nuclear para o Irã.

Apesar dos atritos, EUA e Brasil dizem que o Irã é apenas um item na crescente relação entre os dois países. A disputa, no entanto, coloca os EUA publicamente em rota de colisão com uma potência regional que busca um maior espaço no cenário global.

Esta será a segunda viagem de Hillary à América Latina em três meses. Ela deve reafirmar o compromisso dos EUA em questões como combate ao narcotráfico e comércio regional.

Mas discordâncias podem surgir na reunião da OEA no Peru, especialmente a respeito da readmissão de Honduras, suspensa do bloco regional por causa do golpe de Estado de 2009. Os EUA defendem a readmissão, enquanto o Brasil e outros países se opõem.

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