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Ao final de sabatina, Sotomayor é elogiada por republicanos

Primeira hispânica indicada à Suprema Corte dos EUA praticamente selou nomeação em último dia no Senado

Efe,

16 de julho de 2009 | 19h51

A juíza Sonia Sotomayor, a primeira hispânica indicada à Suprema Corte dos Estados Unidos, praticamente selou sua nomeação nesta quinta-feira, 16, último dia da sabatina a que se submeteu no Senado, onde, apesar de algumas respostas vagas, recebeu elogios de alguns republicanos. O que deixou a juíza, que tem 55 anos e é filha de porto-riquenhos, às portas do Supremo foram a comprovada competência e a paixão pelo Direito, que lhe permitiu superar as origens humildes.

 

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Nos quatro dias de interrogatório, Sotomayor não cometeu nenhum erro que pudesse colocar em risco a indicação. E apesar de toda a resistência dos republicanos, hoje ela conseguiu arrancar palavras de apoio de alguns deles, o que não tinha acontecido antes. "Você disse algumas coisas que simplesmente me surpreenderam", disse-lhe Lindsey Graham, um dos senadores mais influentes do Partido Republicano. "Você percorreu um caminho muito longo e trabalhou muito", acrescentou, em tom afável.

 

"Veremos o que futuro lhe reserva, mas acho que será algo bastante brilhante", afirmou Graham. O senador pela Carolina do Sul, antes de terminar suas perguntas, pressionou a juíza para que comentasse mais uma vez um discurso feito em 2001. Nele, Sotomayor disse que uma latina "sábia" poderia julgar melhor com base em sua experiência de vida que um homem alvo, o que os republicanos interpretaram como sinal evidente de falta de neutralidade.

 

"Lamento ter ofendido algumas pessoas. Acho que minha vida mostra que não tive a intenção de deixar a impressão que alguns tiveram com minhas palavras", respondeu, insistindo que, se a experiência ajuda na compreensão de um caso, o resultado é determinado pela lei. "Quer saber? Concordo com você", respondeu Graham. Caso o Senado aprove a indicação, Sotomayor nunca mais terá que prestar contas de seus atos como juíza, já que as vagas no Supremo são vitalícias.

 

Essa perspectiva preocupa Jeff Sessions, o republicano de maior categoria na Comissão de Justiça. O senador teme que a magistrada desenvolva "sua filosofia judicial" durante décadas sem nenhum tipo de freio. Mas as objeções de Sessions não foram suficientes para bloquear a nomeação de Sotomayor. O republicano disse que seu partido abrirá mão de qualquer manobra para adiar a votação da indicação, o único recurso ao qual poderia recorrer para impedir Sotomayor de chegar ao Supremo.

 

O senador disse ainda que ele e os colegas concordam que a votação no plenário deve acontecer antes do recesso de verão do Congresso, que começa no começo de agosto. Antes, porém, acontecerá a votação na Comissão de Justiça, cujo presidente, o democrata Patrick Leahy, quer que aconteça na semana que vem. A aprovação no órgão está garantida, pois ele é integrado por 12 democratas e apenas 7 republicanos.

 

Na sabatina desta quinta-feira, o senador republicano John Cornyn concordou com a avaliação de Graham de que as sentenças emitidas por Sotomayor em 17 anos de trabalho fazem dela uma juíza "moderada". Mas, ao mesmo tempo, disse que, nos discursos, Sotomayor "quase parece ser uma pessoa diferente" dos comentários que faz. Outro republicano, John Kyl, se irritou com as respostas vagas de Sotomayor, que evitou expressar sua opinião pessoal sobre o aborto e a pena de morte, como outros candidatos ao Supremo fizeram antes dela.

 

A Comissão de Justiça começou nesta quinta a ouvir os testemunhos a favor e contra Sotomayor. Para ela, no entanto, o pior já passou e o importante é pensar em 9 de setembro, quando, provavelmente já como integrante do Supremo, deverá participar de uma audiência sobre a legislação que regula as doações políticas. Caso seja confirmada no posto, a juíza terá que se mudar de Nova York para Washington e ajustar sua vida a um salário de pouco mais de US$ 200 mil ao ano. "Espero que você consiga viver com isso. Se não, provavelmente não deveria aceitar o trabalho", disse Sessions.

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