Apec vive impasse em declaração sobre o clima

Os participantes da cúpula da Apec(fórum que reúne economias da Ásia e do Pacífico) vivem umimpasse na quinta-feira por causa do conteúdo da "Declaração deSydney", que deverá tratar de mudanças climáticas e redução daemissão de poluentes. O presidente da China, Hu Jintao, deu apoio com restriçõesà iniciativa australiana contra o efeito estufa, enquantoalguns países em desenvolvimento criticaram Austrália e EUA porcolocarem a questão climática no topo da pauta da cúpula emSydney. O presidente dos EUA, George W. Bush, tratou da questãoclimática durante encontro bilateral com Hu em Sydney. Bushdisse que apoiaria uma declaração com termos fortes e conclamouHu a fazer o mesmo. "Eles concluíram a importância de tratar esse prementeproblema de forma cooperativa e responsável, e de forma que nãoparalise ou prejudique o crescimento econômico", disse DanPrice, assessor-adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca. De acordo com Price, Bush também sugeriu que a Chinaelimine impostos sobre tecnologias "limpas". Em uma rara entrevista coletiva, Hu disse preferir que aspropostas climáticas sejam tratadas no âmbito da ONU. "Esperamos bastante que esta Declaração de Sydney dê plenaexpressão à posição de que a Convenção-Quadro da ONU sobre aMudança Climática continuará sendo o principal canal para osesforços internacionais para lidar com a mudança climática",disse o presidente chinês. Ele acrescentou que tal declaração deve refletir também oprincípio, adotado pela ONU, de "responsabilidades comuns, masdiferenciadas" no combate ao aquecimento -- o que faz com queatualmente, pelo Protocolo de Kyoto, a China, sendo um país emdesenvolvimento, não esteja obrigada a reduzir suas emissões decarbono. O ministro de Comércio da Malásia, Rafidah Aziz, tambémdisse que a Apec não deveria estar discutindo metas de reduçãodas emissões. "Isso deveria ser com a ONU e com os fórunsapropriados", afirmou. Ministros das Filipinas e da Indonésiatambém questionaram essa abordagem. Em dezembro, governos de todo o mundo se reúnem em Bali(Indonésia) para discutir um novo acordo climático que vigoreapós o Protocolo de Kyoto expirar, em 2012. A proposta de declaração da Apec feita pela anfitriãAustrália defende a inclusão de metas "aspiracionais" para aredução das emissões de gases do efeito estufa. A exemplo de Washington, Canberra considera que Kyoto falhaao excluir das metas os países em desenvolvimento, como China eÍndia. HU DIZ ''NÃO AO PROTECIONISMO'' Outro tópico importante da cúpula é o comércio. Naquinta-feira, a China pediu aos membros desenvolvidos daOrganização Mundial do Comércio (OMC) que sejam mais flexíveisnas negociações da Rodada Doha. "Devemos dizer não ao protecionismo comercial, eliminarbarreiras comerciais e avançar a Rodada Doha na direção de umresultado abrangente e equilibrado o quanto antes", disse Hu. "Claramente, países desenvolvidos precisam fazer mais, maseconomias de rápido crescimento no mundo precisam estar aítambém", disse a representante comercial dos EUA, Susan Schwab,numa aparente referência a China, Brasil, Índia e outros. "Estamos comprometidos e vamos continuar demonstrandoflexibilidade e a fazer tudo o que pudermos." (Reportagem adicional de John Ruwitch, Jalil Hamid, MattSpetalnick e Richard Pullin)

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