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Apesar de diferenças, EUA e China defendem cooperação

Após encontro com Barack Obama, líder chinês diz que Pequim e Washington estão em 'pé de igualdade'

estadao.com.br,

17 Novembro 2009 | 07h52

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da China, Hu Jintao, expressaram nesta terça-feira, 17, a determinação de aumentar a cooperação, apesar de terem ficado evidentes as diferenças significativas em aspectos cruciais como direitos humanos, a segurança e a economia. "A relação entre nossas nações vai além de qualquer assunto em particular", afirmou Obama.

 

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Os dois presidentes mencionaram diretamente a melhoria das relações dos dois países, mas mostraram diferenças sobre a cooperação na economia, na luta contra a mudança climática e na questão dos impasses nucleares com Irã e Coreia do Norte. Em um acordo secundário, estabeleceram uma data para retomar no início do ano que vem o diálogo sobre direitos humanos. Porém, as diferenças entre Washington e Pequim persistiram, reflexo de que a tensão entre os dois governos dificilmente será eliminada durante a primeira visita de Obama ao país asiático.

 

Obama colocou ao líder chinês a questão dos direitos humanos e assegurou, como tinha expressado em um fórum com estudantes em Xangai na segunda-feira, que "os direitos universais devem estar disponíveis para todos os seres humanos e todas as minorias". O presidente americano também instou à China retomar ao diálogo com os representantes do dalai-lama o antes possível.

 

A China diz que o dalai-lama está tentando separar o Tibete do resto do país e que conversações anteriores não tinham chegado a lugar algum. Segundo a BBC, o presidente Hu disse, entretanto, que os dois lados - China e representantes do dalai-lama - se reunirão para conversar sobre direitos humanos e liberdade de religião.

 

No que foi visto como uma indicação do crescente poder e da influência da China no mundo, Hu Jintao disse que os dois países (EUA e China) deveriam se tratar de igual para igual. "Vamos continuar a agir em um espírito de igualdade, respeito mútuo e não-interferência nas questões internas do outro", disse Hu, o primeiro a falar no evento.

 

As diferenças foram tratadas com cautela durante o discurso de cooperação, indício de que os dois governantes reconhecem que enquanto a China segue empenhada em fortalecer os laços com o governo americano, os EUA devem encontrar um modo de trabalhar em conjunto para evitar conflitos. Obama falou em ampliar os interesses em comum dos dois países e que não acredita "que o sucesso de um país deve conquistado às custas de outro". Os presidentes ressaltaram que suas relações são "positivas, cooperativas e extensas". Para Hu, a recente tensão entre os dois países relacionada a questões comerciais deverá ser resolvida em "pé de igualdade".

 

Protecionismo americano

 

Os dois líderes passaram duas horas reunidos no Palácio do Povo, na praça da Paz Celestial. Em seguida leram declarações perante a imprensa, sem que os jornalistas presentes pudessem fazer perguntas. Obama chegou a Pequim na sua primeira visita oficial ao país enfatizando a importância da China no cenário internacional - o que realçou nesta terça-feira. "Os maiores desafios do século 21 - de mudanças climáticas a proliferação nuclear a recuperação econômica - são desafios que afetam as duas nações, e desafios que nenhuma delas pode resolver agindo por conta própria", disse ele.

 

A economia representou boa parte da conversa. Hu Jintao assegurou que tanto seu país como os EUA devem rejeitar o protecionismo "em todas suas formas", em uma alusão à imposição de tarifas aos pneus chineses por parte de Washington desde setembro.

 

Obama disse que a parceira com a China é crucial para os esforços americanos de sair de uma das piores recessões em décadas. Sobre a cotação do yuan, que os EUA querem que China flexibilize, Obama expressou sua satisfação pelo "compromisso da China de fazer a cotação de sua moeda mais orientada aos mercados gradualmente", algo que considerou que contribuirá para fazer mais "equilibrada" a economia mundial.

 

Impasse nuclear

 

Os dois líderes abordaram também a não-proliferação e os programas nucleares da Coreia do Norte e Irã. Neste sentido, voltaram a pedir para que Pyongyang volte "assim que seja possível" à mesa de negociações multilateral sobre seu programa atômico. Sobre o Irã, o presidente americano advertiu sobre "consequências" se não demonstra que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Hu, pelo contrário, afirmou que ambas partes se encontram de acordo em resolver a questão "mediante o diálogo".

 

Questão climática

 

Entre os desafios dos dois países, o que estará em evidência nas próximas semanas é o das mudanças climáticas, assunto da aguardada cúpula em Copenhague em dezembro. Obama indicou estar disposto a se engajar na elaboração de um acordo global no evento. "Nosso objetivo ali não é um acordo parcial ou uma declaração política, mas um acordo que cubra todas as questões nas negociações e que tenha um efeito operacional imediato", disse ele.

 

Obama e Hu ressaltaram seu compromisso para conseguir o êxito da reunião de Copenhague no mês que vem contra o aquecimento global. Como os dois principais produtores e consumidores de energia e principais emissores de gases poluentes, assegurou Obama, ambos países apoiam um acordo que tenha "um efeito operacional imediato" e que, como propôs o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, aborde todos os aspectos do problema.

 

Hu afirmou que tanto seu país como os EUA se encontram de acordo em ampliar o diálogo sobre meio ambiente e energia. Segundo explicou o líder chinês, China e EUA buscarão o êxito da cúpula de Copenhague sobre mudança climática de acordo com as "responsabilidades" e "capacidades" de cada país. Juntos, Estados Unidos e China respondem por 40% das emissões mundiais, portanto o apoio de ambos a um acordo é vital.

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