Apesar de diferenças, reunião entre Obama e Xi resulta em novos acordos

Os Estados Unidos e a China anunciaram um plano conjunto sem precedentes nesta quarta-feira para cortar emissões de gases estufa até 2030, um dos vários acordos alcançados pelos presidentes Barack Obama e Xi Jinping em intensas conversas bilaterais.

MATT S, REUTERS

12 Novembro 2014 | 09h09

EUA e China possuem fortes laços econômicos e comerciais, mas têm divergido sobre quase tudo, da reivindicação chinesa por territórios no leste e sudeste da Ásia a ciberespionagem, comércio e direitos humanos.

Obama, que se encontrou com Xi no Grande Salão do Povo de Pequim pela primeira vez para conversas formais em mais de um ano, após um jantar na noite anterior, disse ver com bons olhos uma China que é pacífica, próspera e estável. 

Na terça-feira, os dois líderes falaram por cinco horas durante e após o jantar, duas horas a mais do que o programado, segundo autoridades. 

Obama acrescentou que a China e os EUA têm diferenças importantes, mas disse estar encorajado pela disposição de Xi de participar de um diálogo construtivo.

“Há importantes diferenças que nós dois praticamos, assim como de visão para nossos respectivos países e nossa conduta de política externa”, disse Obama.“Mas eu fiquei muito animado por sua disposição, sr. presidente, de participar de um diálogo construtivo”, acrescentou.

“Nossos dois países têm enormes apostas no sucesso um do outro”, acrescentou Obama. “Os Estados Unidos dão boas-vindas a uma China que é pacifica, próspera e estável.”

Xi disse a Obama que a China e os EUA devem expandir os negócios em áreas onde podem e devem cooperar. 

Apesar de autoridades dos EUA terem projetado baixas expectativas para qualquer grande sucesso nessa viagem, os dois lados conseguiram destravar uma série de conquistas modestas, mas significativas, em temas como vistos de viagem, comércio, clima e laços militares.

O acordo para cortar emissões de gases-estufa joga o peso dos dois países por trás de um novo pacto global que será negociado em Paris no ano que vem. 

Mesmo assim, apesar da boa vontade mostrada pelos dois líderes durante suas interações públicas, especialmente em uma cúpula de líderes da região Ásia-Pacífico nos dois dias anteriores, ainda há profundas diferenças. 

Obama disse a Xi que os EUA defendem eleições livres e justas, e que reflitam a vontade do povo, no território chinês de Hong Kong, levando a uma resposta de Xi em frente a repórteres, quando o líder chinês disse que o que acontece em Hong Kong é problema interno da China. 

(Reportagem adicional de David Stanway)

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