Apesar de relatório, Bush diz que Irã ainda representa ameaça

Presidente americano afirma que "todas as opções" são consideradas para lidar com o perigo iraniano

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2007 | 13h33

O presidente americano, George W. Bush, afirmou nesta terça-feira, 4, que o Irã ainda representa uma ameaça apesar do relatório da inteligência divulgado na segunda, que conclui que o país paralisou seu programa de armas nucleares em 2003. Ele afirmou ainda que a comunidade internacional deve continuar pressionando o governo de Teerã pela interrupção do programa atômico.      Veja também:China defende diplomacia em crise iraniana Israel diz que Irã retomou programa nuclearDemocratas querem revisão de política Bush elogia derrota de Chávez em referendo Bush declarou que "todas as opções" são cogitadas para lidar com a ameaça iraniana. O resumo do relatório, divulgado na segunda-feira, indica que é improvável que o Irã tenha urânio enriquecido suficiente para fabricar uma bomba atômica até pelo menos 2010. O documento, que se baseia em dados coletados por 16 agências de inteligência americanas, indica com "muita confiança" que o Irã paralisou seu programa para desenvolver armamentos atômicos em 2003 "em resposta à pressão internacional".  "Vejo neste relatório um sinal de alerta de que eles tiveram o programa para a construção de armas e o desenvolveram". "A razão para a nossa preocupação é que ele pode ser reiniciado", disse o presidente americano. O relatório representa uma reviravolta em relação a outros documentos do tipo, nos quais agências de inteligência americanas alertaram que o Irã estava buscando a criação de armas nucleares. Durante a entrevista coletiva concedida no dia 17 de outubro, Bush afirmou que as pessoas "interessadas em evitar a Terceira Guerra Mundial" deveriam trabalhar na prevenção de que Teerã desenvolvesse tecnologia para criar uma arma nuclear. Bush afirmou nesta terça que teve conhecimento do novo relatório na semana passada. Porém, o presidente aproveitou os novos dados para ampliar o apelo pela pressão internacional contra o Irã. "Para mim, o relatório nos dá a oportunidade de continuar a pressão para que o regime iraniano suspenda o projeto", "o que significa que eles não poderão começar um novo programa de criação de armas nucleares". Os Estados Unidos acusam os iranianos de desenvolver seu programa nuclear com o objetivo de criar armas, mas o governo em Teerã sempre negou isso – argumentando que só busca a tecnologia para fins pacíficos.  Elogios de Teerã O governo iraniano considerou que a administração americana deve "pagar o preço" por suas "mentiras". Segundo a agência iraniana Irna, o porta-voz do governo, Gholam-Hossein Elham, afirmou que "os responsáveis americanos prejudicaram muito a nação iraniana por causa dessas mentiras contra nosso país e por desviar a opinião pública e, como conseqüência, deverão pagar o preço por suas ações".  O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, elogiou o relatório dos serviços de inteligência americano que conclui que o seu país paralisou seu programa de armas nucleares em 2003.  Segundo a BBC, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também respondeu positivamente, dizendo que o relatório sustenta sua posição de que não há evidências de um programa de armas nucleares não declarado em lugar algum.  Após a divulgação do relatório, o Partido Democrata disse que deseja que o governo reveja sua política em relação ao Irã. O líder do partido no Senado, Harry Reid, disse esperar que a Casa Branca dê início a novos esforços diplomáticos para tentar retomar relações com o Irã. Reid acrescentou que o governo do presidente George W. Bush deveria seguir o exemplo do ex-presidente Ronald Reagan, que buscou reatar relações com a União Soviética.

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