Apesar de violência, Obama exalta progressos no Afeganistão

O presidente dos EUA, Barack Obama, ofereceu na quinta-feira uma avaliação otimista sobre a guerra do Afeganistão, embora agências de espionagem do governo e entidades humanitárias manifestem dúvidas sobre a situação.

MISSY RYAN E ROSS COLVIN, REUTERS

16 de dezembro de 2010 | 18h09

Obama, que está sob pressão para apresentar resultados depois de acusar seu antecessor, George W. Bush, de negligenciar a guerra, disse que os Estados Unidos se encaminham para começar a retirar tropas do país a partir de julho, conforme o planejado.

Seu secretário de Defesa, Robert Gates, afirmou que é cedo para estimar o ritmo da retirada, mas Obama deseja que até 2014 tenha sido concluída a transferência das tarefas de segurança para as forças afegãs.

A Casa Branca realizou uma revisão da sua estratégia no Afeganistão e divulgou um resumo de cinco páginas em que aponta "ganhos operacionais notáveis" por parte das forças dos EUA e da Otan, contendo o avanço do Taliban em muitas áreas e perturbando a atuação da Al Qaeda. Mas o texto admite que tais ganhos são frágeis e reversíveis, e que enormes desafios persistem.

O texto também cita progressos substanciais, mas desiguais, nas relações dos EUA com o Paquistão, país do qual Washington depende para conter o fluxo de militantes na fronteira com o Afeganistão.

"Quero ser claro: (a guerra do Afeganistão) continua sendo uma empreitada difícil", disse Obama na quinta-feira na Casa Branca, um ano depois de ordenar o envio de 30 mil soldados adicionais. Mas, acrescentou: "estamos no caminho para alcançar nossas metas."

A revisão estratégica ocorre ao final do mais violento ano do conflito, iniciado em 2001. Quase 700 soldados estrangeiros foram mortos desde janeiro, sendo pelo menos 477 norte-americanos. Mas os civis afegãos continuam sendo os mais afetados pela guerra, e na quarta-feira uma bomba matou 14 deles no oeste do país.

O texto divulgado na quinta-feira não traz grandes surpresas, pois suas conclusões já vinham sendo antecipadas por autoridades norte-americanas. O presidente afegão, Hamid Karzai - com quem Obama tem uma relação às vezes tensa - não é citado no documento.

Ao contrário da avaliação otimista apresentada pela Casa Branca, os serviços de inteligência consideram que a situação continuará sendo muito difícil enquanto o Paquistão não coibir de maneira mais firme a presença de militantes na fronteira, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters.

Paralelamente, a Cruz Vermelha Internacional declarou que, por causa da intensificação da guerra, nos últimos 30 anos nunca foi tão difícil levar ajuda aos afegãos necessitados.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, rejeitou as insinuações de que o governo Obama estaria apresentando um quadro excessivamente róseo sobre o conflito. "Acho que estamos com um olhar claro e realista", afirmou.

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