Após 5 anos, Bush diz não se arrepender de guerra no Iraque

O presidente dos EUA, George W.Bush, afirmou na quarta-feira não lamentar ter iniciado aimpopular guerra no Iraque, e isso apesar do "alto custo emvidas e em verbas", e declarou que seu país estava no caminhocerto para obter uma grande vitória ali. Em um discurso proferido no Pentágono para marcar oaniversário de cinco anos da invasão liderada pelosnorte-americanos, Bush, com uma pitada da mesma arrogânciamanifestada em 2003, disse: "Os avanços que estamos vendo noIraque são inegáveis." Com menos de 11 meses para a conclusão de seu mandato ediante de índices de aprovação que rondam os níveis mais baixosde sua estadia no governo, o presidente tenta aumentar o apoiopara a campanha no Iraque, responsável por prejudicar acredibilidade dos EUA no cenário internacional e destinada amarcar o legado dele. Mas o dirigente enfrenta o desafio de conseguir chamar aatenção dos norte-americanos, hoje mais preocupados com oscrescentes problemas econômicos dos EUA e mais centrados nacorrida que definirá o sucessor dele na Casa Branca, no pleitode novembro. Os democratas críticos de Bush usaram a data para repetiras acusações de que o presidente lançou a guerra com base emdados incorretos dos serviços de inteligência, conduziu-a deforma inadequada e não conseguiu até agora definir umaestratégia para concluí-la. "Após cinco anos de conflito, há um debate incompreensívelsobre se a guerra valeu a pena, sobre se vale a pena vencê-la esobre se podemos vencê-la", disse Bush. "As respostas me parecem claras: retirar Saddam Hussein dopoder foi uma decisão acertada, e essa é uma guerra que os EUApodem e precisam vencer", afirmou. Pedindo paciência aos norte-americanos, já cansados doconflito, Bush citou os ganhos na forma de redução da violênciano Iraque auferidos com o aumento do contingente militarnorte-americano estacionado ali, aumento esse determinado nocomeço de 2007. Segundo o presidente, qualquer retirada neste momentoserviria apenas para fortalecer a Al Qaeda e o Irã. "O aumento do contingente militar fez mais do que apenasvirar a mesa no Iraque -- ele abriu a porta para uma grandevitória estratégica na guerra mais ampla contra o terror",disse Bush, referindo-se ao aprofundamento da cooperação com ossunitas iraquianos na luta contra a Al Qaeda. Uma declaração do tipo poderia voltar para assombrar Bush,caso a situação no Iraque venha a se deteriorar. As pessoascontrárias à guerra ridicularizaram o presidente devido àassertiva prematura dele, feita em maio de 2003, sobre "asgrandes operações de combate" no Iraque terem chegado ao fim. Bush disse isso durante um evento realizado no porta-aviõesUSS Abraham Lincoln, quando se postou debaixo de uma faixa naqual se lia a seguinte mensagem: "Missão Cumprida". Possivelmente com isso em mente, o líder norte-americanoafirmou: "Ninguém duvidaria que essa guerra travou-se com umgrande custo em termos de vidas e de verbas, mas esses custossão necessários quando consideramos o custo de uma vitóriaestratégica para nossos inimigos no Iraque." Nem todas as declarações feitas no aniversário de cincoanos do conflito revelaram-se tão otimistas quanto as de Bush.Uma pesquisa do Washington Post-ABC News afirmou que ao menosdois terços dos norte-americanos acreditavam que o conflito nãose justificava. Informado sobre o resultado da pesquisa durante umaentrevista concedida ao programa "Good Morning America", docanal ABC, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, em Omã apóster visitado o Iraque, afirmou: "E daí?" Para entãoacrescentar: "Acredito que não podemos perder o rumo pautadopelas flutuações das pesquisas de opinião." A guerra custou aos EUA, até agora, 500 bilhões de dólares.Dezenas de milhares de iraquianos foram mortos e milhões maistiveram de abandonar suas casas. Quase 4.000 soldados dos EUAperderam a vida, bem como 175 militares da Grã-Bretanha e 134de outros países.

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