Após anúncio, Obama lutará para custear plano no Afeganistão

Divulgação da nova estratégia dos militares dos EUA na guerra contra o Taleban será feita na noite desta terça

Agência Estado,

01 de dezembro de 2009 | 15h00

Quando o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciar sua nova estratégia para a guerra no Afeganistão, na noite desta terça-feira, 1º, ele terá pela frente uma imediata luta política sobre como pagar por isso.

 

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Após uma revisão de meses, Obama falou com o secretário de Defesa, Robert Gates, e outros altos funcionários civis e militares, na noite de domingo, sobre sua decisão de enviar mais dezenas de milhares de soldados para o Afeganistão. O presidente detalhará o plano em um discurso na Academia Militar de West Point, em Nova York. A nova estratégia deve incluir, além de mais soldados, metas para uma futura transferência do controle para as forças locais.

 

O anúncio do reforço nas tropas será o ponto de partida no esforço da Casa Branca para persuadir um cético Congresso a apoiar a nova estratégia de guerra - e para aprovar os dezenas de bilhões de dólares em novos gastos, em uma época de crescentes déficits federais.

 

Pode ser uma jornada difícil. O alto preço com o aumento das tropas já recebe oposição inclusive de democratas do Congresso, aprofundando o distanciamento de Obama e seu próprio partido sobre o conflito.

 

Alguns democratas tendem a apoiar uma nova proposta de impor um imposto de guerra para ajudar a financiar o conflito. Essa proposta é do deputado democrata David Obey, do Wisconsin, que comanda o Comitê Orçamentário da Casa. A administração, porém, deve ainda analisar o projeto, que pode ter dificuldades para passar no Legislativo. O texto prevê que os norte-americanos em geral paguem 1% sobre o imposto de renda, e os mais ricos paguem até 5% para esse fim.

 

"Se o presidente pretende superar nossas objeções, ele terá que carregar o fardo de pedir um imposto para pagar por isso", disse o congressista democrata Mike Honda, da Califórnia, outro membro do Comitê Orçamentário. "Você está falando sobre aproximadamente US$ 30 bilhões ou US$ 40 bilhões por ano em novos gastos", notou.

 

Congressistas republicanos pressionam Obama para que ele atenda completamente aos pedidos de mais tropas dos militares. Os republicanos, contrários a um imposto de guerra, preferem em geral que se empreste o dinheiro adicional necessário para o reforço nas tropas, ou que sejam realocados outros fundos do governo.

 

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que Obama tocará na questão do custo em seu discurso desta terça-feira. Gibbs adiantou, porém, que o presidente não será específico sobre quanto precisa para financiar a expansão do esforço de guerra. "Eu não acho que a intenção do discurso seja fazer uma exposição profunda sobre isso", disse o porta-voz.

 

A disputa do governo com congressistas democratas reflete as duras estatísticas sobre os crescentes custos da guerra afegã. Os EUA atualmente gastam quase US$ 3,6 bilhões no Afeganistão, um valor que deve crescer bastante com o envio de mais tropas.

 

A Casa Branca estima que enviar mais 30 mil soldados - para auxiliar os 68 mil militares norte-americanos já presentes - acrescentaria aproximadamente US$ 30 bilhões em novos custos por ano, ou quase US$ 1 milhão por soldado ou Marine. O Pentágono estima o custo em quase US$ 500 mil por soldado, em um total de aproximadamente US$ 15 bilhões por ano em novas despesas.

 

Analistas independentes do orçamento em geral acreditam que os números do Pentágono são mais precisos. Eles esclarecem, porém, que é difícil gerar estimativas precisas sobre quanto a decisão de expandir a guerra pode custar.

 

O Pentágono já sinalizou que os EUA pela primeira vez começaram a gastar mais dinheiro no Afeganistão que no Iraque. O orçamento da administração de 2010 para o Pentágono, divulgado em maio, pedia US$ 65 bilhões para a Afeganistão e US$ 61 bilhões para o Iraque.

 

Funcionários de Defesa disseram que a administração pedirá ao Congresso que aprove gastos suplementares no Afeganistão nos próximos meses, para financiar os reforços.

 

O general James Conway, comandante dos Marine Corps, disse que muitos dos altos custos ficam por conta de dificuldades e gastos com combustível dos veículos, comida e outros suprimentos, no país de difícil acesso.

 

Em um discurso no meio de outubro, Conway disse que o combustível militar, que custa perto de US$ 1 por galão nos EUA, chega às vezes a US$ 400 no Afeganistão, quando somados todos os custos embutidos. Os Marines no sul afegão gastam mais de 88 mil galões de combustível por dia, segundo ele.

 

O general explicou que muito desse produto passa por rotas de suprimento no Paquistão, e que é preciso pagar "grandes quantias de dinheiro a tribos, para que elas não briguem entre si" nem atrapalhem as vias.

 

O coronel T. C. Moore esteve recentemente no Afeganistão, fazendo parte de um grupo estabelecido por Conway para estudar a forma de se reduzir os custos com energia. Moore disse que a maior parte do custo ocorre após a chegada do combustível ao Afeganistão, quando ele precisava ser levado através de áreas instáveis até as bases dos Marines. "A última milha custa a maior parte do dinheiro, simplesmente porque é tão perigoso", disse o coronel.

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