Após campanha agressiva, Obama recebe rival Romney para almoço

O republicano Mitt Romney não foi morar na Casa Branca, mas nesta quinta-feira recebeu uma espécie de prêmio de consolação ao ser convidado para almoçar com o presidente norte-americano, Barack Obama, uma tentativa de demonstrar alguma harmonia política numa capital dividida.

STEVE HOLLAND, Reuters

29 de novembro de 2012 | 19h15

O almoço, mantido sob discrição, aconteceu na Ala Oeste da Casa Branca. Romney entrou por uma porta lateral fortemente vigiada e funcionários disseram que só os dois políticos participaram do encontro. Fotógrafos foram autorizados a entrar para registrar.

Em pouco mais de uma hora, eles buscaram demonstrar boa vontade para superar a agressividade da campanha eleitoral deste ano, em que Obama acusou o republicano de ser elitista e alienado e de querer esconder o quanto paga de impostos. Romney passou meses acusando o democrata de não saber como resolver os problemas econômicos do país.

A campanha transcorreu em discursos e em anúncios de rádio e TV minuciosamente redigidos, que juntos custaram centenas de milhões de dólares.

Obama se prepara a todo vapor para o seu segundo mandato. O palanque no qual verá o desfile de posse, em janeiro, já está sendo montado na avenida Pensilvânia, em frente à Casa Branca.

Romney, que segundo pessoas próximas ficou chocado com a sua derrota eleitoral, tem poucos planos imediatos. Há uma semana, foi fotografado com vários netos na Disneylândia, na Flórida.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse a jornalistas que Obama queria ouvir algumas ideias de Romney e partilhar experiências da campanha. Em seu discurso após a vitória eleitoral, em 6 de novembro, ele já havia dito que pretendia conversar com o adversário.

"Sem oferecer nada de específico, foi uma conversa que o presidente queria ter com o (ex-)governador Romney, conforme ele mencionou na noite da eleição", disse Carney.

Ele acrescentou que não há nenhuma oferta de cargo ou tarefa sendo preparada para Romney.

Não ficou imediatamente claro se os dois discutiram a questão prioritária para o presidente e o Congresso: o chamado "abismo fiscal" --conjunção de elevação tributária e corte de gastos públicos que entrará em vigor no fim do ano se não houver acordo entre republicanos e democratas.

Romney defendeu fortemente durante a campanha os cortes de gastos, argumentando que seria preciso justificar bem qualquer programa que compense o custo de contrair empréstimos da China. Já Obama enfatizou mais a intenção de elevar os impostos para os ricos.

A pouco mais de um mês do "abismo", os dois partidos parecem muito distantes de qualquer acordo.

(Reportagem adicional de Matt Spetalnick, Mark Felsenthal e Jeff Mason)

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