Após caso de prostituição, governador de NY considera renúncia

Spitzer pode deixar o cargo após envolvimento comprovado por escutas telefônicas e transações financeiras

Agências internacionais,

11 de março de 2008 | 11h18

Após as denúncias de envolvimento com uma rede de prostituição de luxo, o governador de Nova York, Eliot Spitzer, está considerando a hipótese de renunciar ao cargo nesta terça-feira, 11, segundo afirma a edição de hoje do The New York Times. O jornal diz ainda que o vínculo com o serviço de acompanhantes foi descoberto após uma investigação sobre transações financeiras suspeitas do democrata.   Veja também: Governador pagava prostitutas com empresa fantasma, diz NYT Outros escândalos sexuais na política americana O governador de Nova York deve renunciar ao cargo?    Spitzer recebeu conselheiros políticos na noite de segunda-feira, horas após se desculpar publicamente, acompanhado da mulher, por "violar suas obrigações com a família". Oficiais afirmam que não há nada programado para um possível anúncio de renúncia do governador nesta terça-feira.   O escândalo envolvendo a rede de prostituição de operação internacional ameaça encerrar a carreira política de Spitzer. A denúncia estampou a edição online do Times, apontando que investigações federais, feitas durante cerco a um esquema de prostituição na casa noturna Emperors Club VIP, pegou um homem identificado como Client 9 (cliente número 9, em português) confirmando ao telefone seu plano de levar uma mulher de Nova York para Washington, onde ele havia reservado um quarto de hotel. A fonte da investigação federal revelou a identidade do Client 9: o governador de Nova York, Eliot Spitzer.   R$ 9,4 mil por hora   Quatro pessoas foram presas na última semana ligadas ao esquema de prostituição do Emperors Club VIP. O site da casa noturna publica fotografias de mulheres com pouca roupa e rostos escondidos. De acordo com os acessos diários, o sistema do site cria um ranking de prostitutas medido por diamantes, de um a sete. As mulheres no topo do ranking custam US$ 5,5 mil (R$ 9,4 mil) por hora, afirmam promotores públicos.   Investigadores responsáveis por apurar as transações suspeitas revisaram relatórios fiscais que mostravam movimentos atípicos, que escondiam a fonte, o destino ou a finalidade de milhares de dólares em dinheiro e terminaram em contas bancárias de empresas fantasmas. Essas movimentações, segundo oficiais que preferiram não se identificar ao jornal, sugeriam o possível financiamento de crimes - suborno, corrupção política ou operações inapropriadas envolvendo financiamento de campanhas. Prostituição, eles afirmam, seria o destino mais distante na suspeita dos investigadores.   A investigação apontou, porém, que todo o dinheiro era desviado para o pagamento de sexo e que as transações eram manipuladas para garantir o pagamento dos encontros com prostitutas. A conversa telefônica gravada com o governador comprovou o envolvimento com o serviço de prostituição de luxo.   Como promotor público, Spitzer se celebrizou por combater casos de corrupção financeira, o que lhe valeu o apelido de "xerife de Wall Street". Como governador, eleito em 2006 pelo Partido Democrata, prometeu limpar a política estadual, mas suas iniciativas acabaram enfrentando a oposição da bancada republicana no Senado estadual.

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