Após encontro, Bush e Brown procuram mostrar unidade

Embora reitere compromisso com a guerra do Iraque, premiê diz que retirará soldados progressivamente

Associated Press e Reuters

30 Julho 2007 | 13h15

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, mostraram nesta segunda-feira, 30, que manterão a proximidade de suas políticas para Iraque e Oriente Médio, num gesto que deve afastar os rumores sobre um suposto resfriamento nas relações entre os dois países.   Desde que Brown assumiu o cargo de premiê, em junho, não cessaram os questionamentos sobre se o novo líder britânico optaria por se afastar de Bush, cuja proximidade com o ex-primeiro-ministro Tony Blair foi marcante nos últimos anos.   Em entrevista concedida após uma reunião com Bush, entretanto, o novo premiê britânico deixou claro que a sintonia fina entre a política externa dos dois países será mantida, principalmente em relação à guerra do Iraque. "Há responsabilidades e tarefas a cumprir na região", disse Brown aos repórteres.   Brown reafirmou o comprometimento de Londres com a guerra no Iraque, e deu a entender que manterá seus cerca de 5,5 mil soldados no território até que as forças de segurança iraquianas se mostrem aptas a controlar a situação por si mesmas. "Nossa meta, como a dos EUA é, passo-a-passo, passar o controle para as autoridades iraquianas", continuou Brown, adotando um tom parecido ao do presidente americano.   Segundo o premiê, a decisão sobre a transferência do controle sobre a província de Basra - área sob responsabilidade do exército britânico - às forças iraquianas vai se basear apenas na avaliação militar.   Bush, por sua vez, preferiu não responder diretamente se planeja manter a decisão sobre a retirada das tropas americanas ao próximo presidente, que assume em janeiro de 2009, mas sugeriu que deve demorar para que os soldados saiam do país. "(A estabilização do Iraque) levará muito tempo, assim como o conflito ideológico deve demorar muito tempo", disse Bush.   "Não tenho nenhuma dúvida de que Gordon Brown compreende que o fracasso no Iraque seria um desastre para a segurança de nossos próprios países", disse Bush, que também fez referências a necessidade de os dois países se manterem unidos na luta contra o terrorismo.   Segundo o presidente americano, o relacionamento com Brown será um "relacionamento estratégico construtivo para o bem de nossos povos."   'Química'   Ainda assim, a química entre os dois líderes era evidentemente menor que a entre Bush e o antecessor de Brown, Tony Blair, que deixou o cargo de primeiro-ministro no mês passado.   Em contraste com o estilo casual dos encontros entre Blair e Bush, o presidente e o novo líder britânico estavam vestidos formalmente, de terno e gravata, e Brown tinha um ar austero, embora Bush tenha tentado tornar o clima mais leve com brincadeiras.   Brown disse ter afirmado a Bush que o Reino Unido quer trabalhar ao lado dos Estados Unidos em "todos os grandes desafios," como o terrorismo internacional, o Oriente Médio e as alterações no clima.   A respeito do Irã, os dois concordaram com a necessidade de impor sanções mais rigorosas ao país por causa de seu programa nuclear. "Concordamos que as sanções estão funcionando e o próximo passo que estamos dispostos a dar é endurecer as sanções com uma nova resolução da ONU", disse Brown.   Bush disse também que os dois líderes estão otimistas quanto a um acordo mundial de comércio na rodada de Doha, cujas negociações voltaram a emperrar em junho.   "Gordon Brown trouxe sugestões interessantes para obter avanços", disse Bush.   Outros encontros   Na terça-feira, 30, Brown deve viajar para Nova York onde irá conversar com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, além de fazer um discurso na sede da organização.   A viagem de Brown aos Estados Unidos acontece em meio ao rescaldo das grandes enchentes que atingiram o Reino Unido nos últimos. Embora o premiê tenha corrido o risco de deixar o país em um momento delicado, Brown optou por fazer a viagem para combater a crescente percepção de que ele iria se afastar dos Estados Unidos.   Isso porque alguns membros do seu gabinete criticaram a guerra do Iraque no passado, como o ministro para África, Ásia e ONU, Mark Malloch-Brown.

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