Após ter integridade assegurada por Rice, Geórgia assina trégua

EUA defendem instalação de força de paz 'neutra' nas províncias pró-Moscou da ex-república soviética

Agências internacionais,

15 de agosto de 2008 | 12h34

O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, disse nesta sexta-feira, 15 que assinou um acordo de cessar-fogo que encerra as hostilidades com a Rússia pela região separatista de Ossétia do Sul, mas afirmou que o país nunca aceitará perder qualquer território. Após a ratificação da proposta, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assegurou que o acordo não compromete o futuro dos territórios da Géórgia e manifestou o interesse pela instalação de uma força internacional de paz "neutra" no país.   Veja também: Separatistas não podem integrar a Geórgia, diz Rússia Rússia: escudo agrava relações com os EUA Bush acusa Rússia de intimidar a Geórgia Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Rice afirmou que o presidente russo, Dmitri Medvedev, também assinará a proposta. "Com a assinatura do acordo, todas as tropas russas e qualquer paramilitar ou soldado irregular que entrou com o Exército russo deve partir imediatamente", reiterou.  "Nossa tarefa mais urgente hoje é a retirada imediata e ordenada das forças armadas russas e o retorno dessas forças à Rússia", disse Rice a repórteres, depois de conversar com o presidente da Geórgia. "Não estamos mais em 1968", afirmou.   No início da semana os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Geórgia, chegaram a um acordo para pôr fim ao conflito, mas Saakashvili se recusou a assiná-lo, pedindo mais detalhes. Foi apresentada uma versão modificada de um plano negociado por Sarkozy com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, em reunião realizada entre os horas antes em Moscou. Por exigência de Saakashvili, Medvedev teria aprovado o texto final, que inclui a supressão de um ponto que falava de negociações sobre o futuro status da província separatista georgiana Ossétia do Sul.   Saakashvili culpou o Ocidente por não reagir fortemente contra as atividades militares da Rússia e por não conceder ao país caucasiano a filiação à Otan. Ele afirmou ainda que alertou o mundo de que o Exército russo planejou a operação contra o país há meses e afirmou que Moscou mobilizou 1.200 em horas para invadir o território georgiano.   O pacto prevê a retirada das tropas de combate russas, mas, como uma concessão, permite a presença das forças de paz da Rússia que estavam na Ossétia do Sul e na Abkázia antes do início da crise. Elas terão permissão de patrulhar áreas fora das fronteiras das províncias até a chegada de novas forças de paz e observadores de outros países.   Antes, o presidente americano, George W. Bush, acusou a Rússia de "cerco e intimidação" contra a Geórgia, ao afirmar que o povo da ex-república soviética tinha escolhido a liberdade e insistiu que os EUA não os "deixarão de lado". "O cerco e a intimidação não são formas aceitáveis de dirigir a política externa no século 21", disse o líder americano, que reiterou, em linha ao indicado na quinta-feira por pelo Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, de que o conflito na Geórgia tinha prejudicado as relações entre Moscou e seus parceiros ocidentais.      

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaRússiaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.