Árabes duvidam que encontro de Annapolis resulte em paz

Comentaristas do mundo árabeminimizaram nesta quarta-feira a retomada das negociaçõesisraelo-palestinas, classificando o anúncio como um eventomidiático orquestrado pelos Estados Unidos e com poucas chancesde levar paz ao Oriente Médio. Alguns argumentaram que o verdadeiro objetivo do presidentenorte-americano, George W. Bush, ao realizar a conferência deAnnapolis (Maryland), na terça-feira, seria recuperar suaimagem depois dos fracassos no Iraque e no Afeganistão oupersuadir os países árabes de que o maior inimigo deles é oIrã, e não Israel. "O fracasso de Annapolis ficou claro agora. Abbas(presidente palestino, Mahmoud Abbas) regressará à Palestina demãos vazias", disse Essam el-Erian, importante líder daIrmandade Muçulmana, grupo egípcio. "A conferência foi elaborada para fins de relaçõespúblicas, e os participantes foram obrigados a comparecer",argumentou. O ex-ministro libanês das Telecomunicações Essam Noman, emum artigo publicado pelo jornal oposicionista al-Akhbar, disseque os EUA haviam conseguido "arrastar os árabes para um eventopautado pela discurseira diplomática". A mensagem do governo norte-americano, afirmou Noman, era:"Eu sou o policial do Oriente Médio, o encarregado de suasegurança e estabilidade. Cuidado com os desvios e asconfusões. Israel não é o inimigo. O inimigo é o Irã". Ghassan Charbel, editor do jornal Al-Hayat, com sede emLondres, disse que os países árabes haviam comparecido aAnnapolis sem ilusões. "Eles sabem que Israel deseja negociar sem estar prontopara pagar o preço da resolução do conflito. E estão cientes deque os negociadores israelenses exigirão da AutoridadePalestina cumprir condições que ela não tem condições decumprir", escreveu Charbel, em um editorial. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidentepalestino, Mahmoud Abbas, prometeram, durante a conferência quereuniu 44 países, tentar elaborar um tratado de paz até o finalde 2008 a fim de criar um Estado palestino. Os árabes perguntavam-se se Bush pressionaria osisraelenses de forma suficientemente intensa para impedir quecontinuem ocupando as terras palestinas e construindoassentamentos nelas. "Os palestinos desejam a adoção de medidas realistas epráticas. E é nesse ponto que os EUA deparam-se com um desafiocaso estejam realmente interessados em salvar sua credibilidademanchada", afirmou o jornal Gulf Today, publicado em inglês nosEmirados Árabes Unidos. Mohamed al-Sayed Said, vice-diretor do Centro Al-Ahram paraEstudos Políticos e Estratégicos, do Cairo, questionou acapacidade de Bush de entender o Oriente Médio e ocomprometimento do líder norte-americano com a paz. "Ele é totalmente favorável a Israel e o discurso deleexplicou os problemas da região referindo-se exclusivamente aoque considera serem os fanáticos e os extremistas", afirmouSaid.

ALISTAIR LYON, REUTERS

28 de novembro de 2007 | 12h34

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