Atentado em Boston influi no debate do Congresso sobre imigração

A polêmica em torno da reforma imigratória nos Estados Unidos se intensificou na sexta-feira com a revelação de que os dois suspeitos de cometer o atentado desta semana na Maratona de Boston eram estrangeiros de origem chechena.

RICHARD COWAN, Reuters

19 de abril de 2013 | 18h52

"Dados os eventos desta semana, é importante que entendamos as lacunas e buracos no nosso sistema imigratório", disse o senador Charles Grassley, que já se opôs a tentativas anteriores de reformar as regras para a presença de estrangeiros nos EUA.

Ele falou no início de uma audiência parlamentar sobre o projeto de lei divulgado nesta semana que estabeleceria um caminho para a legalização de cerca de 11 milhões de estrangeiros indocumentados.

Enquanto a audiência ocorria, grande parte da região metropolitana de Boston estava parada por causa da caçada policial a Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, apontado como um dos responsáveis pelo atentado que matou três pessoas e feriu 176 na segunda-feira. Seu irmão mais velho, também suspeito de envolvimento, foi morto durante a noite em tiroteio com a polícia.

Os dois irmãos cresceram no Daguestão (Rússia), numa família de origem chechena, e se mudaram na década passada para os EUA. Autoridades norte-americanas disseram que os dois suspeitos estavam nos EUA legalmente.

"Como podemos reforçar os controles de segurança sobre as pessoas que entram nos Estados Unidos? Como asseguramos que pessoas que nos desejam fazer mal sejam inelegíveis para benefícios sob as leis imigratórias, inclusive esse novo projeto de lei diante de nós", disse Grassley, líder republicano na Comissão de Justiça do Senado.

Depois da audiência, o presidente da comissão, democrata Patrick Leahy, disse que seria errado permitir que um fato isolado atrapalhe a tramitação do projeto, que a bancada governista espera aprovar no Senado em junho.

Referindo-se a atentados anteriores nos EUA, Leahy afirmou a jornalistas: "Se alterarmos as políticas deste país toda vez que algo acontece, seja Oklahoma City, o 11 de Setembro ou isto, nunca faremos nada. Deveríamos pensar em quais são as melhores políticas para os Estados Unidos, e usá-las."

Durante a audiência no Senado, o senador democrata Charles Schumer, um dos principais defensores de uma reforma imigratória abrangente, disse: "Gostaria de pedir que todos nós não tiremos conclusões precipitadas sobre os fatos em Boston, nem tentemos equiparar esses fatos a esta legislação".

"Em geral", acrescentou Schumer, "somos um país mais seguro quando as autoridades sabem quem está aqui, têm suas impressões digitais, fotos etc, têm verificações de antecedentes".

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