Atirador de Binghantom alertou sobre ataque em carta, diz TV

Emissora diz que correspondência foi postada na 6ª feira, dia do ataque em que matou 13, entre eles 1 brasileiro

Efe,

07 de abril de 2009 | 07h34

O homem de origem asiática que, na última sexta-feira, assassinou 13 pessoas - entre elas o brasileiro Almir Olímpio Alves - em um centro de imigrantes em Binghantom, Nova York, antes de se matar dizia estar sendo perseguido pela polícia, segundo uma carta enviada a uma televisão local que foi divulgada na segunda-feira, 6.

 

O canal News 10 Now, da localidade de Syracuse, situada ao norte do Estado de Nova York, informou que recebeu uma carta de Jiverly Wong, autor da tragédia, datada de 18 de março e registrada nos correios na sexta-feira, dia em que Wong entrou armado no centro onde vários imigrantes assistiam a aulas de inglês e de cidadania, após bloquear a porta dos fundos do local, e começou a atirar contra os presentes. Algumas pessoas conseguiram sobreviver após se esconderem no porão. "Sou Jiverly Wong atirando nas pessoas", começa a carta, cuja autenticidade, por enquanto, não foi confirmada.

 

O canal de televisão, no entanto, afirma que a mensagem foi enviada por Wong e incluía uma carteira de motorista, uma licença para porte de armas e várias fotos do atirador em uma casa com duas pistolas nas mãos. "A primeira coisa por que quero pedir perdão é que sei pouco inglês", diz o autor da carta, que acredita que, mesmo assim, o conteúdo do documento será compreendido. Na mensagem, ele afirma que era perseguido e torturado pela polícia, tanto durante os anos em que viveu na Califórnia como durante a época em que morou no estado de Nova York.

 

Wong afirma, em um inglês pouco compreensível, que a polícia foi responsável por ter perdido seu emprego como motorista na Califórnia e lhe transformou em uma pessoa "pobre", entre outros supostos atos que assegura terem continuado enquanto morava na localidade de Johnson City, em Nova York. "Não posso aceitar minha pobre vida", afirma o autor no final do documento. "Antes que tirar minha pobre vida", alega que deve agir como um "juiz", e acrescenta: "pelo menos duas pessoas vão voltar comigo ao pó da terra".

 

No fim de semana, a polícia de Binghamton ressaltou que o ataque, que deixou mais de dez feridos, tinha sido premeditado e estava relacionado com o fato de o atirador acreditar ser alvo de piadas das pessoas devido aos problemas que tinha em se expressar em inglês. A carta de duas páginas, escrita em letras maiúsculas e enviada em um envelope convencional, assim como o resto dos documentos, foram entregues à polícia para verificar sua autenticidade.

 

Brasileiro morto

 

A Universidade de Pernambuco (UPE) decretou luto de três dias em homenagem ao professor Almir Olímpio Alves. Na unidade onde Almir ensinava, no município de Nazaré da Mata, zona da mata pernambucana, não houve aula na segunda-feira. Está programada para esta terça uma homenagem ao professor, que fazia pós-doutorado em Matemática na Universidade de Binghamton, com missa e discursos de representantes de professores e alunos.

 

A viúva do professor, Márcia Lins Alves, não deve participar. Além de preferir evitar mais comoção, ela está ocupada com o traslado do corpo do marido, que deverá chegar a Pernambuco até quinta-feira. "Há possibilidade de chegar nesta quarta", disse ela, por telefone, da casa dos pais, no município metropolitano de Moreno, onde se encontra desde que soube da morte do marido. Ele foi aos Estados Unidos realizar um sonho que, segundo ela, foi destruído por uma pessoa sem equilíbrio e que tinha acesso a armas, como é comum nos EUA. O corpo de Alves será enterrado em Carpina, onde nasceu e onde morava com a família - Márcia e o filho Alan, de 16 anos.

 

(Com Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo)

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