Atirador de universidade foi aluno brilhante, diz jornal

Ex-aluno da instituição, Steven Kazmierczan teve artigos premiados sobre as penitenciárias americanas

Reuters e Associated Press

15 de fevereiro de 2008 | 14h08

O homem que matou cinco estudantes e se suicidou numa faculdade de Illinois na quinta-feira, 14, era especialista em assuntos prisionais, com trabalhos que haviam chamado a atenção dos círculos acadêmicos, segundo uma reportagem publicada nesta sexta-feira, 15.  Veja também:Seis morrem em tiroteio em universidadeHá uma semana, 15 morriam em tiroteiosRelembre o massacre de Virginia Tech Relembre massacres nos EUA Site da universidadeSite do hospital      As primeiras informações da polícia davam conta que o atirador havia baleado 17 estudantes, dos quais seis haviam morrido. Durante uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, 15, porém, as autoridades americanas confirmaram que 5 estudantes morreram.O atirador, Steven Kazmierczak, de 27 anos, cresceu em um subúrbio de Chicago e estava matriculado em uma faculdade pública distante da Universidade do Norte de Illinois, local do ataque de quinta-feira, 14, de acordo com o jornal Chicago Tribune. Dirigentes da universidade - uma instituição com 25 mil alunos situada 104 quilômetros a oeste de Chicago - confirmaram que o agressor, que apareceu de repente na frente de um auditório e começou a disparar, foi aluno do curso de sociologia no ano passado.  Kazmierczak se tornou um andarilho após parar de tomar a medicação indicada por seu psquiatra, conforme informou o chefe de polícia do campus, Donald Grady.Segundo o jornal de Chicago, o homem havia ajudado a escrever artigos científicos sobre automutilação em prisões e sobre o papel da religião nas primeiras penitenciárias dos EUA. Depois disso, de acordo com o jornal, o agressor matriculou-se na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, na região central do Estado. Um estudante brilhante      De acordo com o Chicago Tribune, os trabalhos acadêmicos do atirador foram foram premiados com um prêmio universitário. "Segundo os relatos que obtivemos, ele era um estudante excelente, que os professores viam com consideração", afirmou John Peters, reitor da Universidade do Norte de Illinois, nesta sexta-feira, 15, em entrevista ao programa 'Good Morning America', da rede NBC. "Não há nada em nosso sistema indicando que tenha pedido ajuda dos nossos serviços de aconselhamento psicológico", acrescentou.   "Neste momento, estamos tentando descobrir o motivo disso tudo. Não faço idéia de qual seja. Não há nenhum bilhete ou ameaça do qual eu tenha ciência", disse.O médico-legista do condado de DeKalb, Dennis Miller, divulgou nesta sexta-feira a identidade de quatro vítimas do atirador: Catalina García, de 20 anos, Daniel Parmenter, também de 20 anos, Ryanne Mace, de 19, e Julianna Gehant, de 32. De acordo com ele, mais duas pessoas morreram depois de terem sido socorridas em hospitais de dois condados próximos.  Em Winnebago, a legista Sue Fiduccia disse nesta sexta-feira, 15, que uma mulher morreu em seu condado, mas a identidade ainda não foi revelada porque familiares da vítima ainda não foram notificados.   No total, 21 pessoas foram mortas ou ficaram feridas no ataque. Aterrorizados e sangrando, muitos estudantes fugiram do auditório antes de o homem disparar contra si mesmo, em cima do palanque. Esse é o mais recente de uma série de incidentes do tipo ocorridos em faculdades e escolas do ensino médio norte-americanas.   Histórico de violência em universidadesA Virginia Tech, uma universidade de Blacksburg, Virgínia, tornou-se palco do ataque com arma de fogo mais violento da história moderna dos EUA em abril do ano passado, quando um homem matou 32 pessoas antes de se suicidar. Peters afirmou, em entrevista concedida a rede de televisão CNN nesta sexta-feira, 15, que a universidade havia revisto e intensificado seus planos de resposta de emergência depois do ataque na Virginia Tech. Segundo Peters, apesar de as universidades serem "instituições bastante abertas, eventos como este e o da Virginia Tech, além de outros, nos obrigam a reconsiderar como agimos. Acho isso uma infelicidade, mas algo necessário."   O presidente dos EUA, George W. Bush, disse ter conversado com Peters e lhe disse que "muitas pessoas estarão orando hoje (sexta-feira) pelas famílias das vítimas e pela comunidade da Universidade do Norte de Illinois. Obviamente, essa é uma situação trágica. E eu peço aos norte-americanos que ofereçam suas bênçãos, bênçãos de conforto e de força". (Por Michael Conlon, Bill Trott e David Morgan)

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