Atirador forçou entrada na escola, diz polícia

Irmão contou que Adam tinha distúrbios psiquiátricos; mãe do jovem, que também foi morta por ele, colecionava armas

Denise Chrispim Marin, correspondente,

15 Dezembro 2012 | 13h56

WASHINGTON - Sob o impacto da tragédia de Newtown, a polícia de Connecticut e a imprensa americana passaram o sábado tentando recolher informações sobre Adam Lanza, o autor do assassinato de sua mãe, do massacre de 26 pessoas na escola Sandy Hook e de sua própria morte. Os indícios colhidos até o final da manhã deste sábado, 15, apontavam para uma combinação conhecida em outros episódios trágicos nos Estados Unidos - distúrbio mental e acesso a armas.

A polícia apurou que o atirador forçou sua entrada no prédito, segundo o jornal norte-americano The New York Times. "Esperamos traçar um panorama completo explicando como e por que", disse o tenente J. Paul Vance, porta-voz da Polícia de Connecticut sobre as evidências encontradas no local.

Ele iniciou o massacre na casa dele, que ficava perto da escola, onde matou sua mãe Nancy Lanza com um tiro no rosto, segundo a polícia. Ele então seguiu até a escola primária Sandy Hook usando o carro da mãe e usando roupas de combate, armado com pistolas e rifles semiautomáticos e forçou sua entrada no prédio. Ainda segundo a polícia, Lanza escolheu as vítimas com uma eficiência brutal.

As crianças se esconderam nos armários, banheiros e em cantos das salas de aula, mas o atirador atirou em todas elas. Um bedel correu pelos corredores alertando a todos sobre o atirador e alguém ativou o autofalante da escola, avisando mais pessoas e salvando vidas.

As vítimas já "foram identificadas pelos legistas", mas ainda restam alguns trâmites para que suas identidades sejam divulgadas, afirmou o tenente, em entrevista coletiva. Segundo ele, uma vez que os legistas concluam a parte burocrática de sua tarefa, será divulgada uma lista oficial com os nomes de todas as mortes, incluindo o atirador.

Família

À polícia, Ryan Lanza disse que o irmão, Adam, tinha distúrbios psiquiátricos, informou uma fonte da investigação à agência Associated Press.  O Washington Post trouxe hoje a informação de que a mãe de Adam e sua primeira vítima, Nancy, colecionava armas. O atirador carregava consigo duas pistolas semiautomáticas quando ingressou na escola.

Adam deixou no carro um fuzil e trazia consigo o documento de identidade do irmão, o contador Ryan, quatro anos mais velho, o que provocou a confusão inicial sobre a identidade do atirador. 

De acordo com a imprensa local, Adam teria se formado em 2010 na Newtown High School. Antigos colegas o descreveram como um jovem inteligente, mas inquieto e com poucos amigos.

Vizinhos e colegas de Adam na escola recordaram do antigo colega como um menino tímido, do tipo que não olha nos olhos das pessoas quando fala e de difícil socialização. Mas fazia parte do clube de tecnologia, tinha especial interesse em computadores e era reverenciado como o gênio da classe.

Pânico

No ataque que matou 20 crianças e 7 adultos na escola de Newtown, Adam atirou em alunos de duas salas. De todas as suas vítimas, apenas uma sobreviveu e está internada no Hospital de Danbury. Das crianças mortas, 18 morreram na escola e outras 2 no hospital. O armamento - uma Glock e uma Sig Sauer - e um fuzil Bushmaster 223 estavam registradas em nome da mãe.

Segundo a polícia de Connecticut, todas as vítimas já foram identificadas, mas seus nomes não serão divulgados para preservar a privacidade das famílias.

O ataque

A polícia de Newtown recebeu um chamado de emergência às 9h30 (12h30, no horário de Brasília) da Sandy Hook Elementary School, onde estudam cerca de 630 crianças e adolescentes, segundo o tenente Vance. Uma equipe da Swat foi enviada para reforçar a resposta policial.

A chegada da polícia permitiu a retirada da escola das crianças em pânico e desagasalhadas, apesar da temperatura abaixo de zero. Já do lado de fora, professores tremiam e choravam. Todos tiveram antes de passar por uma revista.

O pânico envolveu os alunos e os professores e funcionários da escola. Ivonne Cech, uma bibliotecária da Sandy Hook, disse ter se trancado por 45 minutos em um armário com 18 alunos da quarta série – todos com aproximadamente 10 anos de idade – com dois balconistas e um assistente. "Uma equipe da polícia nos encontrou e nos retirou da escola", disse a bibliotecária ao The New York Times.

Na noite de sexta, a população da pequena cidade se reuniu nas igrejas locais para rezar pelos mortos. De acordo com a rede de televisão CNN, a cidade de Newtown registrou apenas um assassinato nos últimos 10 anos.

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