Ativista Chen diz temer perseguição a sobrinho na China

O ativista chinês Chen Guangcheng está preocupado com represálias judiciais contra seu sobrinho na China e irá trabalhar de Nova York para divulgar o drama dele, disse um apoiador nesta quarta-feira.

MAXIM DUNCAN, REUTERS

23 Maio 2012 | 20h14

Chen, que é cego e contesta a "política do filho único" adotada por Pequim, fugiu no mês passado da prisão domiciliar em uma aldeia chinesa e chegou a Nova York no sábado, depois de se refugiar na embaixada dos Estados Unidos em Pequim, num caso que provocou atritos diplomáticos entre os dois países.

"Ele pode farejar que mais um julgamento falso vai acontecer, e seu sobrinho irá enfrentar uma tremenda vingança", disse Bob Fu, presidente da entidade cristã ChinaAid, do Texas, que se reuniu com Chen.

"Ele está muito preocupado, ele repetidamente me disse que essa será sua preocupação imediata, seu foco. Ele irá se pronunciar em prol do seu sobrinho, de outros familiares e de outros apoiadores que enfrentam perseguições, ele vai continuar se envolvendo a partir dos Estados Unidos", afirmou Fu.

Chen Kegui, sobrinho do ativista, foi indiciado por homicídio doloso e acusado de usar facas para afastar autoridades locais que entraram na sua casa em 27 de abril, um dia depois de o governo descobrir que Chen Guangcheng havia fugido da prisão domiciliar.

Na sexta-feira, as autoridades proibiram Chen Kegui de ser defendido pelo advogado que a família escolheu. Desde que deixou a prisão domiciliar, o ativista, que agora vai estudar direito em Nova York, vem manifestando temor de que seus familiares e apoiadores sofram perseguições.

Fu disse que encontrou Chen "animado, e fisicamente melhorando, eu acho". Chen quebrou o pé durante a fuga, e chegou aos Estados Unidos de muletas.

Ainda segundo Fu, Chen vai manter seu ativismo vivendo nos Estados Unidos e pretende no futuro voltar ao seu país.

"Acho que ele vai continuar dedicando algum tempo para se pronunciar quando for necessário, especialmente nessa questão do Estado de direito, da injustiça que está acontecendo na China. Ele certamente espera que o governo chinês o autorize a voltar um dia."

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