Atrapalhado, Romney escolhe Paul Ryan como vice e o qualifica como 'próximo presidente dos EUA'

Anúncio foi aconteceu em comício no Estado da Virginia, considerado um dos nove decisivos para a eleição de novembro

Denise Chrispim Marin ,

11 de agosto de 2012 | 12h20

CORRESPONDENTE / WASHINGTON - Com atraso de mais de um mês, o candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, anunciou neste sábado, 11, Paul Ryan, deputado federal de Wisconsin obcecado pela redução do déficit público americano, como seu companheiro de chapa. "Paul tem um tremendo caráter", afirmou Romney, para em seguida se atrapalhar e qualificar Ryan como "o próximo presidente dos EUA".

O comício deu-se uma plataforma onde estava ancorado o navio de guerra USS Wisconsin, Norfolk, na Virgínia. Nesse Estado americano, um dos nove considerados decisivos para a eleição de novembro, Romney iniciou ontem um roteiro de campanha em ônibus de quatro dias.

Ryan tratou de corrigir seu parceiro no primeiro discurso como candidato a vice-presidente. Chamou Romney de "o homem certo para liderar os americanos de volta à prosperidade e grandeza". Em seguida, atacou o governo do democrata Barack Obama como responsável pela pior recuperacão econômica dos últimos 70 anos e pela queda de mais de US$ 4.000 na renda das famílias americanas desde 2008.

"Qualquer que sejam as explicações, qualquer que sejam as desculpas, esse é um histórico de fracasso", insistiu Ryan. "Vivemos um momento diferente, perigoso. Não podemos desperdiçar mais quatro anos."

A escolha por Ryan, de 42 anos, reforça o vínculo da campanha de Romney com os setores mais conservadores de seu partido, favoráveis a um ajuste severo nas contas públicas. A proposta de orçamento para 2013 do deputado federal, em tramitação no Congresso, mantém benefícios fiscais para os americanos mais ricos. Porém, reduz investimentos em obras de transportes e corta 62% dos atuais gastos com a população mais pobre - os programas de assistência de saúde e o "bolsa-comida".

Católico, Ryan tem potencial para abrandar as desconfianças do eleitorado de sua religião à candidatura do mórmon Romney. Há 14 anos na Câmara do Deputado, em seu sétimo mandato, ele vem de um dos Estados tradicionalmente não comprometidos com nenhum dos partidos nas eleições presidenciais. Em Wisconsin, Obama tem 5,4 pontos porcentuais de vantagem sobre Romney.

No processo de escolha, concluído na noite de 10 de agosto, Romney ceifou o nome do jovem senador Marco Rúbio, da Flórida, tido como capaz de aproximar a candidatura republicana do eleitorado hispânico. Também descartou seu concorrente nas primárias e atual conselheiro de campanha Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, e o senador Robert Portman, de Ohio. Esses foram os remanescentes de uma lista que incluia, entre outros, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice.

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