ATUALIZA 1-Obama fará alerta duro ao Irã em discurso na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai avisar o Irã nesta terça-feira que seu país fará "o que deve fazer" para impedir que a República Islâmica obtenha uma arma nuclear, e apresentará também um apelo aos líderes mundiais por uma resposta unida aos ataques contra representações diplomáticas norte-americanas em países muçulmanos.

MATT S, Reuters

25 de setembro de 2012 | 09h38

Preparando-se para subir à tribuna da ONU quando faltam seis semanas para a eleição presidencial nos EUA, Obama espera reagir às críticas feitas por seu rival republicano, Mitt Romney, à política externa do atual governo. Romney o acusa de lidar mal com a Primavera Árabe, de abalar as relações de Washington com Israel e de não ser suficientemente firme com o Irã.

No discurso previsto para começar por volta d 10h15 (hora de Brasília), Obama dirá à Assembleia Geral --segundo trechos divulgados antecipadamente por sua assessoria-- que ainda há tempo para resolver a questão do Irã de forma diplomática, mas que "o tempo não é ilimitado".

A menção parece ter a intenção de acalmar as preocupações de Israel a respeito de uma suposta má-vontade dos EUA em impedir o progresso do programa nuclear iraniano.

Mas Obama não deve ceder à pressão do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que cobra a imposição de um "limite" para o Irã, a partir do qual poderia haver uma ação militar contra as instalações atômicas iranianas.

Os EUA e Israel, entre outros países, acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, algo que Teerã nega, insistindo que suas atividades estão voltadas apenas para a geração de energia com fins civis.

Obama vai dizer que "um Irã com armas nucleares não é um desafio que possa ser contido", pois "ameaçaria eliminar Israel, a segurança das nações do Golfo (Pérsico) e a estabilidade da economia global".

Por isso, dirá Obama, "os Estados Unidos farão o que precisam para impedir o Irã de obter uma arma nuclear".

O presidente também tentará mostrar aos seus eleitores que está fazendo o possível para evitar novos incidentes violentos como o de 11 de setembro, quando uma multidão enfurecida com um filme anti-islâmico invadiu o consulado dos EUA em Benghazi (Líbia), matando o embaixador norte-americano no país e outros três norte-americanos.

Vários outros países islâmicos tiveram protestos contra o filme semiamador, feito na Califórnia.

"Os ataques das últimas duas semanas não são simplesmente uma agressão à América. Também são uma agressão aos ideais sobre os quais os Estados Unidos foram fundados", dirá Obama, de acordo com trechos do discurso divulgados pela Casa Branca.

A fala dele buscará afirmar a contrariedade dos EUA com insultos a qualquer religião, insistindo ao mesmo tempo em que não há justificativa para uma reação violenta.

"Hoje, devemos declarar que essa violência e intolerância não têm lugar entre nossas Nações Unidas", dirá Obama, que passará 24 horas em Nova York, onde fica a sede da ONU, antes de retomar a agenda eleitoral na quarta-feira em Ohio.

Tudo o que sabemos sobre:
EUAOBAMADISCURSOIRAATUALIZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.