Janet Hamlin/AP
Janet Hamlin/AP

Audiências do 11/09 em Guantánamo começam nesta semana

Defensores de 5 acusados de planejar os ataques tentaram adiar sessões mas tiveram pedido negado

Reuters

15 de outubro de 2012 | 14h53

GUANTÁNAMO - As tentativas dos Estados Unidos de avançar no julgamento de cinco prisioneiros de Guantánamo acusados de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001 vêm sendo frustradas há meses por conflitos de agenda, observâncias religiosas, problemas na Internet e uma tempestade tropical. Mas o juiz responsável pelo caso rejeitou um novo pedido da defesa para atrasar ainda mais o processo no tribunal militar por causa de uma infestação de ratos e fungos nos escritórios atribuídos aos advogados de defesa na Base Naval dos EUA na Baía de Guantánamo, em Cuba.

Está previsto para esta segunda-feira, 15, o início de uma semana de audiências antes do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, o suposto mentor dos ataques de aviões sequestrados que mataram 2.976 pessoas nos Estados Unidos em 2001, e de quatro supostos membros da Al Qaeda acusados de fornecer dinheiro e outras formas de apoio aos sequestradores.

Em uma tentativa de julgá-los em 2008, os cinco foram denunciados por acusações revistas durante uma audiência caótica de 13 horas em maio, marcada por ataques desafiadores dos réus. Não houve nenhuma audiência no caso desde então.

Uma audiência marcada para junho foi adiada porque um dos advogados de defesa de Mohammed teve que assistir à execução de um cliente em um caso não relacionado. Uma sessão de julho foi adiada para permitir que os réus cumprissem o mês sagrado do Ramadã, quando os muçulmanos jejuam durante o dia.

Audiências marcadas para agosto foram atrasadas quando uma interrupção na Internet deixou os advogados incapazes de acessar seus documentos eletrônicos legais, e depois foram canceladas por completo quando a tempestade tropical Isaac se aproximou. A tempestade atingiu a base, mas não causou danos.

Novo pedido

No final de setembro, o espaço de trabalho utilizado pelos advogados de defesa foi fechado porque estava infestado de mofo, fezes de rato e havia pelo menos uma carcaça de rato em decomposição. Os advogados de defesa disseram que o prédio da década de 1940 estava lhes causando doenças.

Então, eles pediram um novo adiamento do julgamento, dizendo que sem a sua área de trabalho não teriam recursos para se preparar para as audiências. Mas o juiz, o coronel do Exército James Pohl, ordenou uma limpeza, e descartou, em 5 de outubro, um novo adiamento.

O prédio já foi certificado como seguro pelo Departamento de Higiene Industrial do hospital da base, embora alguns dos advogados tenham dito que ainda estava tóxico e eles estavam trabalhando em um trailer de alta segurança apertado dentro do complexo do tribunal, ao invés de voltar ao edifício.

O promotor-chefe, o general de brigada do Exército Mark Martins, reconheceu a jornalistas na noite de domingo que os tribunais eram um "ambiente relativamente austero", mas ressaltou que "a justiça não é determinada pelo conforto do ambiente".

Audiências

Muitas das questões que o tribunal irá abordar durante as audiências desta semana referem-se a questões de sigilo. Os advogados de defesa querem que o juiz elimine um processo de "classificação presumível" que trata como segredo nacional qualquer discussão sobre o que aconteceu com os acusados durante os interrogatórios nas prisões secretas da CIA antes de serem enviados para Guantánamo, em 2006.

O juiz também vai ouvir pedidos de organizações de notícias para limitar o fechamento da sala do tribunal para as sessões secretas, e terá que decidir se a Constituição dos EUA rege os tribunais sendo realizados na base dos EUA no sudeste de Cuba.

Além de Mohammed, os réus Bin Attash, Ramzi Binalshibh, Ali Abdul Aziz Ali e Mustafa al Hawsawi, são acusados de conspiração com a Al-Qaeda, ataque a civis e alvos civis, assassinato em violação das leis de guerra, destruição de propriedade, sequestro e terrorismo. Todos os cinco podem enfrentar a pena de morte se forem condenados.

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