Aumenta a desigualdade da renda de brancos e negros nos EUA

Estudo feito pela Instituição Brookings acompanhou a renda de 2.300 famílias durante mais de 30 anos

Efe,

13 de novembro de 2007 | 01h36

A diferença na renda afeta cada vez mais as famílias negras na comparação com as brancas nos Estados Unidos, revelou uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 12, pela Instituição Brookings, um centro de estudos sociais e econômicos. Para os especialistas, a persistente desigualdade derruba a crença de que as diferenças econômicas e sociais se reduziram após várias décadas de luta pelos direitos civis, segundo o relatório Projeto de Mobilidade Econômica. "Em certa medida somos na realidade uma sociedade menos dinâmica que muitos outros países, como Canadá, França, Alemanha e a maioria das nações escandinavas. Isto questiona a idéia de que os Estados Unidos são a terra das oportunidades", revelou a pesquisa. Segundo o estudo, que observou a renda de 2.300 famílias durante mais de 30 anos, em 1974 a renda de uma família negra média era equivalente a 63% da obtida por uma família branca semelhante. Trinta anos depois, em 2004, o número baixou para 58%. "Negros e brancos nos Estados Unidos acham que a situação se emparelhou. Não é assim", disse Mar Morial, presidente da Liga Nacional Urbana. O estudo revelou que a renda aumentou nos dois setores. Mas o aumento beneficiou em maior medida as famílias brancas. Segundo o estudo, a renda entre os homens negros diminuiu nas últimas três décadas. A queda foi em parte neutralizada pelo avanço conseguido pelas mulheres afro-americanas. Já a renda entre os homens brancos se manteve relativamente estagnado, mas a das mulheres brancas quase quintuplicou. "Em geral, a renda está subindo. Mas nem todos se beneficiam da mesma forma do sonho americano", disse Julia Isaacs, especialista da Instituição Brookings, que participou do estudo. Para ela, o dado mais preocupante é que nas famílias negras de renda média os ganhos não parecem aumentar quando os filhos crescem e passam a ser a base econômica, como ocorre entre os brancos. Apenas um de cada três negros de famílias de renda média teve salários mais altos que os de seus pais. "Isso significa que a maioria retrocedeu", interpretou. Em contraste, dois terços dos brancos superaram a renda de seus pais. Para a especialista, um aspecto positivo é que nos casos de famílias negras pobres a maioria dos filhos conseguiu uma renda mais alta que os de seus pais.

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