Aumentam deserções nos EUA desde a Guerra do Iraque

Depois de seis anos de conflito, o número de soldados que abandonaram as fileiras é o mais alto desde 1980

EFE

17 de novembro de 2007 | 02h23

As deserções no Exército dos Estados Unidos aumentaram desde o começo da Guerra do Iraque, em 2003, revelou um relatório do Departamento de Defesa divulgado nesta sexta-feira pela rede de televisão "CBS". Segundo o relatório, após seis anos de conflito armado no Afeganistão e Iraque, o número de soldados que abandonaram as fileiras é o mais alto desde 1980. No ano fiscal 2007, que terminou em 30 de setembro, desertaram 4.698 soldados, quase 2.500 a mais que no ano anterior. Uma parte considerável fugiu para o Canadá, para evitar a possibilidade de um castigo. O Exército dos EUA define a deserção como a ausência sem aviso de um militar durante mais de 30 dias. Com mais de 100 mil soldados no Iraque, o Exército sofreu a maior parte das 3.863 mortes de militares americanos até hoje no país. Segundo analistas, os números são inferiores aos das deserções que durante a Guerra do Vietnã, há mais de 30 anos, quando o alistamento era obrigatório. No entanto, elas vêm aumentando progressivamente nos últimos quatro anos. No ano passado, o aumento foi de 42%. Segundo fontes militares, as deserções geralmente se devem à incapacidade do soldado para se adaptar à vida militar, por serem homossexuais, ou por razões de saúde como depressão e estresse Pós-traumático. Há um mês a Administração de Veteranos de guerra revelou que mais de 100 mil soldados estavam em tratamento, a maioria com estresse pós-traumático. No entanto, a rede de televisão entrevistou alguns desertores no Canadá, que alegaram a sua rejeição ao conflito no Iraque. O sargento Phil Mcdowell explicou que tinha pedido baixa após servir no Iraque e a sua solicitação foi negada. "A razão foi que eu ia ser enviado outra vez para lá e estava de acordo", explicou. "Se tivesse que ir ao Afeganistão, iria. Mas não queria ter nada a ver com a Guerra do Iraque", acrescentou. Há quatro dias, a "CBS" divulgou outro relatório revelando um alarmante aumento dos suicídios entre os veteranos de guerra americanos. A pesquisa realizada durante cinco meses em 45 dos 50 estados do país afirmou que pelo menos 6.256 americanos veteranos de guerra se mataram em 2005. "Foram 120 por semana, em apenas um ano", disse a "CBS". A possibilidade de um veterano de guerra se suicidar é duas vezes maior que a dos outros americanos, segundo a pesquisa. A "CBS" destacou que o maior número de suicídios foi entre veteranos de 20 a 24 anos. A taxa foi de duas a quatro vezes maior que a dos civis da mesma faixa de idade. "São números devastadores, que indicam claramente uma epidemia de problemas de saúde mental", disse Paul Sullivan, um defensor dos direitos humanos. No entanto, Ira Katz, da Divisão de Saúde Mental do Departamento de Assuntos de Veteranos, descartou uma epidemia de suicídios entre os ex-militares.

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